BE/Açores quer comissão técnica para fiscalizar contaminação na Base das Lajes
Hoje 17:48
— Lusa/AO Online
“Propomos a criação da
CTI-Terceira: a Comissão Técnica Independente para Acompanhamento,
Fiscalização e Avaliação Ambiental e Sanitária da contaminação na ilha
Terceira”, revelou o deputado do Bloco no parlamento açoriano, em
conferência de imprensa, em Ponta Delgada.António
Lima, que falava na delegação da Assembleia Regional, explicou que o
partido pretende criar um “órgão pericial com independência garantida
por lei, dotado de orçamento próprio, composto por cientistas e peritos
indicados pelas academias e ordens profissionais”.“Esta
comissão terá plenos poderes para solicitar colheitas de dados e
contra-análises laboratoriais autónomas através de entidades externas
acreditadas, fiscalizar diretamente os planos de remediação e
descontaminação na ilha Terceira, os relatórios realizados no âmbito
desse processo e recomendar os parâmetros para estudos epidemiológicos”,
detalhou.O também líder do BE/Açores
explicou que o “objetivo” é que a comissão funcione “junto da Assembleia
Legislativa”, com os respetivos membros a serem nomeados pelo
presidente do parlamento “ouvidos todos” os partidos e “outras entidades
com competência técnica”, como o Conselho de Reitores ou as ordens dos
Médicos, Engenheiros e Farmacêuticos.“Esta não deve ser uma proposta de um só partido. A proposta deve colher o mais amplo consenso parlamentar possível”, disse.A
proposta do Bloco prevê uma comissão com nove membros, mas António Lima
reiterou “total abertura” para discutir a iniciativa, que também prevê
um “regime estrito de exclusão de conflitos de interesses”.“Ninguém
que tenha tido qualquer ligação laboral, contratual ou governamental
com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos, com as Forças Armadas
Portuguesas, com empresas privadas de descontaminação ou com gabinetes
ministeriais nos últimos cinco anos poderá integrar essa estrutura”.António
Lima disse querer que a proposta seja discutida na próxima semana no
plenário do parlamento açoriano com dispensa de exame em comissão e
adiantou que o diploma vai ser enviado aos partidos para poderem “fazer
propostas de alteração” e “robustecer” a iniciativa.“A
escolha da composição dos membros da comissão não acontece nem numa
semana, nem duas. Para que entre em vigor, como propomos, a 01 de
janeiro de 2027, é preciso que esse trabalho todo seja feito com
celeridade. Não estamos assim a tanto tempo disso, considerando as
férias parlamentares de agosto ou o período de discussão do Orçamento
[em novembro]”, alertou.O deputado do BE
criticou “anos de promessas vazias” que “servem apenas para adiar
soluções”, defendendo que o “impasse político e cumplicidade
institucional têm de acabar”, porque o “povo da ilha Terceira tem o
direito (…) de saber exatamente a verdade”.“Esta
proposta não pretende criar uma comissão política, nem um grupo de
trabalho ministerial ou intergovernamental, que servem para engavetar o
problema. Queremos uma comissão científica, isenta e ao serviço do
povo”, vincou.