BE/Açores propõe passe para transportes coletivos a nove euros
23 de jan. de 2023, 20:15
— Lusa
“Este
passe de nove euros pretende ser para a população em geral, com preços
diferenciados consoante as distâncias e as zonas de que estamos a falar.
Para pessoas que estão numa situação de desemprego, estudantes ou
reformados, aí poderiam ter isenção de pagamento do passe, aliás, como
já acontece em muitas zonas do país, exceto nos Açores”, afirmou, em
declarações aos jornalistas, o coordenador do BE/Açores, António Lima.O
também líder da bancada parlamentar do Bloco de Esquerda nos Açores
falava, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, à margem de uma ação de
contacto com a população, em que distribuiu, de forma simbólica, passes
de mobilidade, propondo um custo máximo de nove euros por mês.Segundo
António Lima, na ilha Terceira, por exemplo, o passe mensal dos
transportes coletivos pode chegar aos 53 euros por mês, numa ligação
entre as duas cidades da ilha (Angra do Heroísmo e Praia da Vitória) ou a
60 euros, num percurso maior, que liga Angra do Heroísmo à freguesia
dos Biscoitos.O deputado do BE defendeu
que é preciso reduzir “muito significativamente” o preço dos passes e
implementar “mudanças mais do que urgentes, que já deveriam ter
acontecido”.“Os transportes coletivos não
têm acompanhado a evolução que tem existido no país, para já não falar
na Europa. Essa é uma responsabilidade dos vários governos, ao longo dos
anos, inclusive do atual governo [açoriano, PSD/CDS-PP/PPM], que não
tem olhado para esta matéria com a atenção devida”, acusou.Para
além da redução do preço, o BE propõe que o passe criado dê acesso a
transportes urbanos e interurbanos e a transportes marítimos, nas ilhas
onde ele existe.“É importante não só para a
carteira das famílias, porque levará claramente a uma redução do custo
com o transporte, mas também é importante para o ambiente”, frisou.O
Bloco vai entregar, esta semana, na Assembleia Legislativa dos Açores,
um projeto de decreto legislativo regional, que propõe alterações nos
preços dos passes e prevê uma forma de compensação financeira das
autarquias e das empresas concessionárias do setor.Questionado
sobre o impacto orçamental da proposta, António Lima disse que “estas
contas serão feitas a seu tempo”, mas defendeu que a questão financeira
não será “um entrave à aprovação de uma medida deste tipo”.“Quando
nós temos um Governo Regional que agora encontrou 10 milhões de euros
para pagar salários às empresas que pagam o salário mínimo, por exemplo,
ou quando o Governo Regional encontra a cada momento mais dinheiro para
implementar as medidas que quer, muitas delas erradas, a questão
financeira não é a que mais releva para aqui”, apontou.“O
Governo Regional abdicou de receitas desde que está em funções,
baixando impostos a quem não precisava e sobre os lucros, numa altura em
que há quem ganhe com a inflação”, acrescentou.