BE/Açores fala em “silêncio sepulcral” sobre buscas da PJ
Hoje 15:57
— Lusa/AO Online
O
parlamentar único do BE António Lima fez uma declaração política sobre a redução do turismo na
região e, como o tema não motivou intervenções das restantes bancadas
parlamentares nem do executivo, não poupou críticas na intervenção
final.“Pelos vistos, não há ninguém nesta
casa preocupado com o futuro da economia da região. Não há ninguém que
tenha visto as notícias sobre a escalada de preços do combustível dos
aviões. Não há ninguém preocupado com a descida do número de dormidas na
região”, lamentou.E acrescentou: “É a
total irresponsabilidade, principalmente dos partidos que têm a
responsabilidade neste momento de governar [PSD/CDS-PP/PPM]. E há um
silêncio sepulcral nesta casa, apesar dos apartes incomodados da
coligação, é o silêncio sobre as explicações que são devidas sobre os
negócios que o Governo Regional fez com a Ryanair”.António
Lima dirigiu-se depois à secretária regional do Turismo, Mobilidade e
Infraestruturas, Berta Cabral, e disse que “não pode estar impávida e
serena quando a sua Secretaria está, naturalmente, a ser investigada,
toda a gente sabe”.“Mas é preciso
politicamente, [que] a senhora dê explicações a este parlamento sobre o
que fez, sobre a sua responsabilidade política sobre esta matéria. A
justiça é para a justiça, mas a política é aqui e as e as explicações
são devidas”, concluiu.Antes, o deputado
do Bloco tinha dito, na leitura da sua declaração política sobre
turismo, que “ventos contrários” também chegaram ao setor, pois a
companhia aérea de baixo custo Ryanair “abandona os Açores e encerra
todas as rotas”.“O sol brilha mais para a
Ryanair noutros locais e não hesitou em abandonar os Açores, apesar dos
milhões que os Açores lhe pagaram em subsídios”, acrescentou.António
Lima referiu que o Governo Regional “esqueceu-se que esquemas de
financiamento semelhantes já foram feitos em vários países da Europa e
alguns declarados ilegais, como aconteceu em França, em Montpellier”.“Seria
importante que o Governo Regional, deixando a justiça para a justiça,
trouxesse as explicações políticas ao parlamento sobre os negócios que
fez com a Ryanair. Expliquem-nos então, que negócios foram esses”,
exortou, referindo-se à intervenção que a PJ realizou esta semana.Em
relação ao setor, disse ainda que a privatização da SATA Internacional
“e a irresponsável ameaça do encerramento deixa um lastro de incerteza” e
que a reprivatização da TAP é “mais um fator que traz dúvida aos
Açores”.“A atual situação geopolítica que
decorre da guerra e a crise dos combustíveis já está a causar aumento de
preços nas viagens internacionais e ameaça o transporte aéreo. É um
jogo de risco máximo para um arquipélago que vive de mobilidade”,
afirmou.O secretário regional dos Assuntos
Parlamentares e Comunidades, Paulo Estevão, esclareceu, na terça-feira,
que as buscas realizadas naquele dia pela PJ ocorreram em “vários
locais da administração regional”, assegurando que há “total colaboração
com as autoridades” por parte do executivo.“Tivemos
a informação que estas buscas ocorreram em vários locais da
administração regional e, portanto, da nossa parte [Governo Regional de
coligação PSD/CDS-PP/PPM], a nossa reação é a de que, obviamente, as
entidades competentes estão a fazer a investigação que consideraram
adequado fazer”, disse.A PJ realizou uma
operação policial nos Açores e em Lisboa, no âmbito de um inquérito por
“suspeitas do favorecimento de uma companhia aérea por parte de uma
entidade pública” e constituiu cinco arguidos.Em
comunicado, a PJ adiantou que a operação "Last Call" foi desenvolvida
através da Unidade Nacional de Combate à Corrupção, tendo sido
realizadas buscas nas ilhas de São Miguel, Terceira e Faial e em Lisboa.“No
âmbito das diligências realizadas, foram recolhidos importantes
elementos de prova dos factos em investigação, tendo sido constituídos
cinco arguidos”, ainda segundo a PJ.A
operação policial permitiu o cumprimento de 14 mandados de busca e
apreensão em domicílios, organismos públicos, associações de direito
privado e escritórios de advogados, “no âmbito do inquérito onde se
investiga a prática dos crimes de fraude na obtenção de subsídio ou
subvenção, prevaricação, participação económica em negócio e abuso de
poderes”, lê-se na nota.Ainda de acordo
com a PJ, em causa “estão suspeitas do favorecimento de uma companhia
aérea por parte de uma entidade pública, designadamente através de
financiamento ilegal na adjudicação indevida de contratos financiados
pelo Programa Operacional dos Açores 2030”.Fonte
do executivo adiantou à agência Lusa que as buscas foram realizadas nas
instalações da Direção Regional do Turismo (em Ponta Delgada e na
Horta) e na Direção Regional do Planeamento e Fundos Estruturais (Angra
do Heroísmo).