BE/Açores exige pagamento imediato de salários a trabalhadores portugueses da Base das Lajes
30 de out. de 2025, 12:36
— Lusa/AO Online
O
vice-presidente do Governo Regional dos Açores, Artur Lima, disse na
terça-feira que, se o Governo da República não adiantar os salários em
atraso na Base das Lajes, o executivo açoriano assumirá esse
compromisso, mas hoje o líder regional do bloco e deputado no parlamento
açoriano, António Lima, afirmou que os trabalhadores "continuam sem
saber quando e como vão voltar a receber os seus salários".No
final de uma reunião com a Comissão Representativa dos Trabalhadores
Portugueses da Base das Lajes, na Academia de Juventude da Ilha
Terceira, na Praia da Vitória, o líder do BE/Açores acusou o Governo
português de continuar numa "posição de submissão, em que permite que os
Estados Unidos da América (EUA) tratem os Açores como uma colónia"."Isso
não pode acontecer, os EUA têm que tratar os trabalhadores portugueses
com dignidade e é preciso exigir que os EUA paguem o que devem",
afirmou.Na sua opinião, o que se está a
passar nos EUA, com o bloqueio orçamental, "é um problema dos EUA e não
tem qualquer enquadramento legal em Portugal".António
Lima alertou também "para a situação dos 26 trabalhadores que têm
contratos temporários na Base das Lajes e que vão ser todos despedidos".Portugal
"tem de exigir a criação de mecanismos ao nível da Comissão Bilateral
que garantam que no futuro, perante bloqueios orçamentais nos EUA, nunca
mais se voltarão a repetir estes problemas com os trabalhadores
portugueses na Base das Lajes", disse.No
comunicado, o deputado e líder regional do BE açoriano refere também
que, por parte dos EUA, "não está a ser cumprido o calendário de
reuniões obrigatórias da Comissão Laboral nem da Comissão Bilateral".Salientou ainda que
"todos os anos repetem-se problemas com a atualização dos salários e
existem trabalhadores portugueses com salário inferior ao salário
mínimo".O BE enviou perguntas, através da
Assembleia da República, aos Ministérios dos Negócios Estrangeiros e da
Defesa Nacional a exigir explicações sobre estas matérias.O
partido também já aprovou, no parlamento dos Açores, uma proposta para
que o Governo da República desenvolva "esforços diplomáticos imediatos
junto dos EUA, com vista ao pagamento dos salários em atraso aos
trabalhadores portugueses ao serviço das forças militares
norte-americanas na Base das Lajes"."É
incompreensível que o Governo da República tenha estado em silêncio
sobre esta situação durante duas semanas. Este assunto não se pode
tratar apenas no recato das embaixadas, é preciso tratar com
transparência para as pessoas saberem o que os governos estão a fazer.
Se é que estão a fazer alguma coisa", afirmou António Lima.Os
salários na Base das Lajes, na ilha Terceira, são pagos quinzenalmente.
A quinzena de 17 de outubro foi paga com cortes e a de 27 de outubro
não foi paga.Em causa está a introdução de
uma suspensão temporária e não remunerada aplicável a funcionários
públicos norte-americanos, devido à paralisação parcial da administração
dos EUA por não ter sido aprovado o orçamento federal dos Estados
Unidos.O Sindicato dos Trabalhadores das
Indústrias Transformadoras, Alimentação, Comércio, Escritórios, Turismo e
Transportes (SITACEHTT) dos Açores e a Comissão Representativa dos
Trabalhadores (CRT) da Base das Lajes reiteraram na terça-feira o apelo
para que o Estado português siga o exemplo dos governos da Alemanha e de
Espanha e adiante os salários dos trabalhadores enquanto os EUA não
pagam.