BE/Açores diz que há enfermeiros a trabalhar 16 e 24 horas seguidas na região
Hoje 12:50
— Lusa/AO Online
“Segundo
uma denúncia recebida pelo Bloco e que é do conhecimento da tutela, o
atual modelo de funcionamento do SIV assenta na acumulação de funções
por parte de enfermeiros provenientes dos hospitais e unidades de saúde
da região, que asseguram turnos SIV como trabalho extraordinário. Esta
prática tem conduzido, de forma sistemática, a jornadas de trabalho que
atingem 16 horas diárias, podendo mesmo chegar a 24 horas consecutivas”,
alertou o BE, em comunicado.O deputado
único do BE e coordenador regional do partido, António Lima, entregou um
requerimento na Assembleia Legislativa dos Açores a questionar o
Governo Regional sobre esta situação.O
Bloco considera que esta situação pode “colocar em causa a segurança dos
utentes, a proteção dos profissionais e a sustentabilidade futura do
serviço”.“A fadiga extrema resultante
destas cargas horárias compromete a capacidade de concentração, o
raciocínio clínico e a tomada de decisão, competências essenciais em
contexto de emergência. Esta situação aumenta o risco de erro humano,
acidentes e falhas operacionais”, vincou.O
partido salientou que a sobrecarga dos profissionais também dificulta o
recrutamento de novos enfermeiros, “devido à impossibilidade de
conciliar a atividade hospitalar com o SIV e com a vida pessoal”.António
Lima defendeu que o Governo Regional deve fazer “uma avaliação urgente
do modelo atual” e implementar “soluções estruturais que garantam a
segurança dos cidadãos, o respeito pela legislação laboral e condições
de trabalho dignas para os profissionais”.No
requerimento entregue na Assembleia Legislativa dos Açores, o partido
perguntou ao executivo açoriano se prevê apresentar um plano de
reestruturação do SIV e em que prazo, que medidas serão adotadas para
garantir o cumprimento dos períodos mínimos de descanso e se está
prevista a revisão das escalas homologadas, de forma a impedir turnos
que ultrapassem os limites legais.O
deputado do BE solicitou também esclarecimentos sobre as medidas
previstas para reforçar o recrutamento de profissionais e evitar a
sobrecarga das equipas existentes e sobre a avaliação que o Governo faz
do impacto da fadiga na segurança operacional, tanto na condução de
veículos de emergência como na tomada de decisões clínicas.