BE/Açores diz que desprezo do Governo Regional pela Cultura é "desolador" mas executivo rejeita
12 de set. de 2024, 16:22
— Lusa/AO Online
“Quer seja
no eixo central da atividade cultural dos Açores, que assenta no apoio
às atividades culturais, quer seja na manutenção dos serviços externos
como os museus e bibliotecas, quer seja na indiferença relativamente aos
problemas da realidade da criação e programação culturais, o desprezo
deste Governo Regional [PSD/CDS-PP/PPM] pela cultura é desolador”, disse
o deputado António Lima no parlamento regional.O
parlamentar do BE, que fez da tribuna uma declaração política sobre o
tema da cultura, disse que o Regime Jurídico de Apoio às Atividades
Culturais (RJAAC) está “obsoleto em relação à realidade cultural do
momento” e também no seu teor e na sua aplicação. “O Governo [Regional] nem consegue cumprir os prazos e os procedimentos legais do mesmo”, alegou.Acrescentou
que o ano já vai em setembro e “a grande parte dos agentes culturais
dos Açores ainda não recebeu sequer a primeira tranche das verbas
relativas ao ano de 2024”.“Há eventos
culturais que tiveram de ser cancelados, outros modificados ou adiados.
Essa constante incerteza e incumprimento de prazos coloca em causa a
produção cultural nos Açores”, disse, referindo que os agentes culturais
protestam sobre “todos estes constrangimentos”.Para
António Lima, “investir na cultura é investir numa sociedade mais
resiliente, mais coesa” e isso é “determinante para a própria
democracia”.No debate, a socialista Marta
Matos disse que, “se há uma área em que esta governação se revelou um
autêntico falhanço e um autêntico desastre foi na cultura”.“Os
senhores falharam todos os compromissos assumidos com os agentes
culturais”, afirmou, acrescentado que “todos os dias” se ouvem críticas
de agentes culturais e associações relativamente às dificuldades que
enfrentam “por falta de apoio do Governo Regional”.Pelo
PSD, o deputado Joaquim Machado salientou, entre outros aspetos, que o
financiamento público da cultura deve ser feita de forma complementar
“para enriquecer a capacidade que já existe no terreno, que os agentes
culturais, mais ou menos organizados ou de forma espontânea, são capazes
de produzir, não é para depender do subsídio”.O
parlamentar do Chega José Pacheco alertou que é necessário olhar para a
cultura “de forma muito lata” e referiu que “tudo tem de ser medido com
retorno para a sociedade”.Por fim, para o
deputado Nuno Barata (IL) o grande risco da subsidiação da cultura é
“condicionar o pensamento dos agentes culturais”.A
secretária regional da Cultura, Sofia Ribeiro, explicou a situação
atual do setor na região e deu conta dos apoios atribuídos pelo
executivo aos vários agentes culturais, indicando que foram realizadas
reuniões em todas as ilhas.A governante
rejeitou que o setor não esteja a ser apoiado pelo Governo Regional e
comparou apoios atribuídos em 2019 (pelo então executivo socialista) e
este ano: “Em 2019, o governo de então, apoiou com o RJAC em pouco mais
de 700 mil euros. Em 2024 nós estamos a apoiar em quase um milhão e 400
mil”.O deputado do PPM João Mendonça
proferiu também uma declaração política onde falou da importância
da diáspora e indicou que a ilha do Corvo, a mais pequena do
arquipélago, que tem cerca de 400 habitantes, “tem vindo a recuperar
demograficamente com o regresso de algumas famílias”, incluindo algumas
que emigraram para os Estados Unidos.O
secretário Regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, Paulo
Estêvão, aproveitou o momento para falar de algumas medidas do executivo
relacionadas com a diáspora, como o reforço do apoio às associações e o
estudo do arquivo das comunidades.Também
serão abertas novas Casas dos Açores onde as comunidades açorianas “são
significativas”, como no Havai e no Brasil, anunciou.