BE/Açores diz que Comissão Europeia “está a fingir” na privatização da Azores Airlines
Hoje 15:58
— Lusa/AO Online
António Lima considerou que a CE “é corresponsável pelo caminho, porque o aprovou”, de privatização da Azores Airlines, que “está falhado”, uma vez que “já passaram quatro anos” deste processo e “ninguém pode dizer que está a correr bem”.O dirigente do BE/Açores falava em conferência de imprensa, em Ponta Delgada, para apresentação das conclusões da reunião da Comissão Coordenadora Regional do partido.Na sequência das dificuldades financeiras do grupo SATA, em junho de 2022, a CE aprovou uma ajuda estatal para apoio à reestruturação da companhia aérea de 453,25 milhões de euros em empréstimos e garantias estatais, prevendo medidas como uma reorganização da estrutura e o desinvestimento de uma participação de controlo (51%).Como contrapartida, o grupo SATA está obrigado a privatizar, até final do ano, a Azores Airlines e o ‘handling’ do grupo.António Lima considera que, no caso da SATA Air Açores, “não há nenhum motivo para privatizar o ‘handling’”, enquanto no que concerne à Azores Airlines “é preciso urgentemente acabar com este processo de privatização”.O líder do BE/Açores considerou que “se a CE quer fingir que está a correr bem, pode continuar a fingir que está a correr bem”, estando-se a “adiar um problema que se vai avolumando e é cada vez maior”.“ A CE sabe que as coisas não estão a correr bem, olha para os números como nós olhamos mas, por enquanto, finge que as coisas vão andado. Mas esse caminho é desastroso para os Açores”, considerou.O BE/Açores, disse, propõe “uma alternativa responsável e de futuro”, que passa por ”negociar com o Governo da República um acordo estratégico com a TAP que preserve a autonomia, a identidade e a missão pública da SATA Internacional”.Segundo António Lima, “infelizmente, por teimosia ideológica, quase todos os partidos da região estão amarrados a uma decisão que não tem nenhuma credibilidade”.“Voltaremos a colocar a proposta em cima da mesa porque é preciso juntar forças para criar uma alternativa política para evitar o desastre económico e social que seria o encerramento da SATA Internacional”, disse.O consórcio Atlantic Connect Group apresentou a 24 de novembro de 2025 uma proposta de 17 milhões de euros por 85% do capital social da Azores Airlines, tendo o Governo dos Açores solicitado a prorrogação do prazo para a privatização da companhia até 31 de dezembro de 2026, que foi aceite pela CE.O júri da privatização da Azores Airlines propôs, entretanto, recentemente a rejeição da proposta do consórcio Atlantic Connect Group, a única admitida no concurso, por entender que não “salvaguarda os interesses” da SATA e da região.O consórcio Atlantic Connect Group tem 10 dias para exercer o contraditório, uma vez que o relatório do júri da privatização da Azores Airlines é preliminar.Na sexta-feira, o empresário Carlos Tavares, do consórcio Atlantic Connect Group, considerou que o “ponto essencial” para a compra da Azores Airlines é a assunção do passivo pela região, sob pena de não haver negócio.