BE/Açores diz que cadeia de Ponta Delgada é o “maior ataque aos direitos humanos” no país
3 de out. de 2017, 12:55
— Lusa/AO Online
“O estabelecimento prisional de Ponta
Delgada é, talvez, o maior caso de ataque aos direitos humanos que
vivemos no país”, declarou aos jornalistas Zuraida Soares, após um
encontro com o presidente do Conselho Regional dos Açores da Ordem dos
Advogados, Elias Pereira.Zuraida Soares, que falava em Ponta
Delgada, na ilha de São Miguel, no âmbito de um conjunto de audições que
esta ordem profissional está a promover, referia-se à sobrelotação e ao
estado de degradação do edifício, considerando serem desumanas as
condições na prisão.A dirigente referiu ainda “incompreensíveis
os avanços e recuos que a promessa de obras [na atual cadeia] ou de um
novo estabelecimento têm tido”.“Todos nós nos lembramos que há um
ano, antes das eleições regionais dos Açores, houve a promessa de
realização de umas obras para atacar o problema de forma imediata, mas,
até hoje, estas não se realizaram”, afirmou a dirigente do BE/Açores,
adiantando ter sido ainda prometida para, “muito em breve”, a construção
da nova cadeia de Ponta Delgada.“Segundo um relatório de
segunda-feira, do Ministério da Justiça, já não será nos próximos cinco,
mas dez anos”, declarou, acrescentando que a lotação prevista de 300
reclusos “já não responde ao número que existe neste momento”, se forem
contabilizados os cerca de 200 reclusos no continente oriundos do
arquipélago.Um relatório sobre o Sistema Prisional e Tutelar
divulgado pelo Ministério da Justiça propõe para os próximos dez anos a
construção de cinco novos estabelecimentos prisionais, entre os quais o
de Ponta Delgada, com capacidade para 300 reclusos. Zuraida
Soares defende que o Governo dos Açores, do PS, e os partidos na região
devem fazer “a pressão possível” na Assembleia da República e no
Ministério da Justiça para ultrapassar a situação, uma vez que esta deve
ser uma “prioridade nacional”.A co-coordenadora do BE nos Açores
referiu, por outro lado, que a inexistência na região de um centro
educativo para menores “obriga a que 10 a 15 jovens por ano sejam
‘deportados’ para o continente”, o que se traduz numa “dupla ou tripla
pena”, ficando estes “completamente desinseridos” da sua estrutura
familiar, o que compromete a sua reinserção. Zuraida Soares
denunciou, igualmente, que o número de notários privados nos Açores
(cinco) é “absolutamente exíguo e inaceitável” num universo de nove
ilhas.“Tudo isso revela que o acesso à Justiça está cada vez mais dificultado” no arquipélago, concluiu a dirigente.