BE/Açores desafia ministra a visitar "terreno inviável" para futura cadeia de São Miguel
21 de set. de 2022, 06:12
— Lusa/AO Online
“Perante a visita da ministra
da Justiça aos Açores e em particular ao Estabelecimento Prisional [EP]
de Ponta Delgada [na quarta-feira], o BE desafia-a a integrar no
‘Roteiro para a Justiça’ uma visita ao terreno escolhido para a
construção da nova cadeia, na Mata das Feiticeiras, e ao local de
deposição das bagacinas”, pois “foi a escolha por este terreno inviável
que determinou a morosidade no processo e um gasto desnecessário de
dinheiro público”, declara aquela força política em comunicado de
imprensa.Para o BE, o atual EP de Ponta
Delgada “constitui um atentado aos direitos humanos, sujeitando os
reclusos a viver de forma indigna, e a solução está nas mãos da atual
ministra que, ao visitar a Mata das Feiticeiras, verá que a escolha
deste terreno continuará a condicionar o processo”.A
ministra da Justiça iniciou na segunda-feira uma visita de três dias
aos Açores, em que passará por estabelecimentos prisionais e tribunais
de cinco ilhas (Terceira, Pico, São Jorge, Faial e São Miguel).O
BE/Açores refere que o processo de deslocação da bagacina da Mata das
Feiticeiras para o parque de máquinas das obras públicas “tem um custo
de três milhões de euros e já conta com a deposição de, pelo menos, um
milhão e meio de metros cúbicos de bagacina”.“As
bagacinas retiradas do terreno na Mata das Feiticeiras já foram
suficientes para preencher uma cratera de uma pedreira e ainda criar uma
elevação de algumas dezenas de metros de altura, numa área com quase 10
mil metros quadrados, sendo que a obra ainda decorrerá até final de
2022”, descreve.O BE/Açores recorda que em
junho, “também o secretário de Estado Adjunto e da Justiça visitou os
Açores e afirmou a vontade do Governo da República em «trabalhar
rapidamente» na construção da nova prisão de São Miguel”.“No entanto, as visitas acabam por não contemplar o local onde está prevista a construção”, frisa o BE/Açores.De
acordo com aquela força política, esta é “uma situação insólita, uma
vez que falar do novo estabelecimento prisional sem conhecer ‘in loco’
as condições em que se está a desenvolver é não querer ver o que está à
vista de todos – o desastre e irracionalidade da escolha feita”. O
BE/Açores assinala que a Assembleia da República “decidiu no sentido de
ser encontrado um novo terreno para a construção do novo
estabelecimento prisional, mas o Ministério da Justiça não cumpriu a
decisão” parlamentar.De acordo com o
Bloco, a solução devia ser “a ser a escolha por um terreno com
características apropriadas para a construção desta infraestrutura”,
sendo que, “se já tivesse sido cumprida a decisão do parlamento, por
esta altura já se teria a obra em andamento”.O
projeto do novo Estabelecimento Prisional de Ponta Delgada foi
apresentado em novembro de 2018 pela então secretária de Estado Adjunta e
da Justiça, Helena Mesquita Ribeiro, como tendo capacidade para 400
reclusos.O novo equipamento, a construir
na Mata das Feiticeiras, no concelho de Lagoa, num terreno cedido pelo
Governo dos Açores ao Estado, deveria substituir o atual Estabelecimento
Prisional, localizado na cidade de Ponta Delgada e com problemas de
sobrelotação.Em 08 junho, o Tribunal
Central Administrativo do Sul determinou que o Instituto de Gestão
Financeira e Equipamentos da Justiça terá de aprovar novo concurso para o
projeto do Estabelecimento Prisional de Ponta Delgada, segundo o
acórdão a que a Lusa teve acesso.Na
sequência da decisão, o secretário de Estado Adjunto e da Justiça disse
ser necessário “trabalhar rapidamente para resolver o problema” do novo
Estabelecimento Prisional de Ponta Delgada.