BE/Açores critica "opções erradas" do Governo após incêndio no Hospital de Ponta Delgada
Hoje 10:17
— Lusa/AO Online
A 4 de maio de 2024, o
maior hospital dos Açores foi afetado por um incêndio que obrigou à
transferência de todos os doentes para outras unidades de saúde da
região, da Madeira e do continente, tendo sido construído um hospital
modular junto ao edifício do HDES para assegurar a resposta dos cuidados
de saúde.Dois anos depois do incêndio,
“os principais indicadores relativos à atividade cirúrgica demonstram
que as opções do Governo e a sua paralisia política estão a prejudicar
gravemente a saúde de milhares de açorianos”, alertou o BE em
comunicado.O Bloco lembrou que, desde o
incêndio no Hospital de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, defendeu a
necessidade urgente de recuperar os blocos operatórios do edifício
principal, alertando que “esperar por obras definitivas iria provocar
enormes atrasos nas cirurgias”.Dois anos
depois, e com uma lista de espera “que não para de aumentar”, o conselho
de administração do HDES “reconheceu finalmente a necessidade dessas
intervenções e decidiu avançar” com as obras, sustentou o partido.O
BE citou dados oficiais do Governo Regional que indicam que, entre
abril de 2024 e fevereiro de 2026, o número de utentes em lista de
espera cirúrgica aumentou de 6.410 para 8.937, um crescimento de 39%.Além
disso, o tempo médio em lista de espera cirúrgica aumentou de 415 para
527 dias (+112 dias), o número de operados por mês baixou de 506 para
337 (-33%), o tempo médio de espera dos operados aumentou de 273 para
387 dias (+114 dias), e a cirurgias realizadas dentro do Tempo Máximo de
Resposta Garantido baixou de 54,6% para 44,5%, assinalou o BE.Para
o Bloco de Esquerda, estes números “são muito preocupantes” e
evidenciam "os erros que foram cometidos pelo Governo Regional ao
insistir no investimento de mais de 30 milhões de euros no hospital
modular, que era para ser provisório e afinal é definitivo".O
partido defendeu que deveria ter sido priorizada a "rápida recuperação"
do edifício principal, como "recomendavam relatórios técnicos do
próprio hospital", deixando o projeto de remodelação profunda do HDES
para "um momento posterior, com a resposta à população estabilizada".