BE/Açores critica falta de transparência e atrasos nos apoios às atividades culturais
Hoje 16:24
— Lusa/AO Online
“O
BE denuncia falta de transparência, desorganização e atrasos
injustificáveis no processo de atribuição dos apoios no âmbito do Regime
Jurídico de Apoios a Atividades Culturais (RJAAC) para 2026, que está a
penalizar gravemente os agentes culturais da região”, critica o partido
em comunicado.O Bloco lembra que este é o
primeiro ano da aplicação do novo decreto regulamentar do RJAAC, mas
salienta que o processo não ficou mais simples, nem previsível.“As
candidaturas foram submetidas em setembro de 2025, já com indicação dos
patamares de apoio pretendidos. Contudo, apenas a 06 de março de 2026
foram comunicadas as classificações, sem qualquer indicação dos
montantes a atribuir ou do enquadramento das candidaturas nos respetivos
patamares”, lê-se na nota de imprensa.Os
bloquistas denunciam a existência da “duplicação de procedimentos” no
processo de candidaturas e a “divulgação faseada e incoerente de
informação”, o que “demonstra uma profunda falta de planeamento e
respeito pelos agentes culturais”.“A
situação atual gera incerteza, impede a correta leitura dos resultados e
compromete a programação das entidades culturais, muitas das quais
dependem destes apoios para desenvolver a sua atividade”.O
BE/Açores revela ter submetido um requerimento na Assembleia Regional a
pedir “esclarecimentos” ao Governo Regional e a exigir “transparência,
rigor e respeito pelos agentes culturais”.“O
BE alerta ainda para o risco de atrasos adicionais no processo, que
poderão empurrar a assinatura de contratos e o pagamento dos apoios para
o verão, colocando em causa a execução de projetos culturais essenciais
na região”, insistem.O partido, que tem
um deputado no parlamento açoriano, considera que o modelo de apoios
regionais “contrasta claramente com boas práticas nacionais” dos
incentivos da DGARTES - Direção-Geral das Artes.“O
BE reafirma que a cultura não pode continuar a ser tratada com
improviso e falta de planeamento, defendendo um modelo de apoio claro,
previsível e justo, que valorize o trabalho dos criadores e das
entidades culturais dos Açores”, sinaliza o Bloco.Na
quinta-feira, o Movimento pela Arte e Cultura nos Açores (Mova)
solicitou à secretaria Regional da Cultura um “esclarecimento urgente”
sobre a forma como será determinado o financiamento das candidaturas ao
regime jurídico de apoios a atividades culturais.Em
comunicado, o Mova alertou para a “falta de clareza e inconsistências,
que estão a gerar confusão no setor cultural” dos Açores.No
dia seguinte, a secretária regional da Educação, Cultura e Desporto dos
Açores afirmou que a auscultação sobre o regime jurídico de apoios a
atividades culturais na região foi a “mais participada de sempre” e
acolheu “contributos” do Mova.Questionada
pela agência Lusa sobre a posição do Mova, que pediu um “esclarecimento
urgente” relativo à forma como será determinado o financiamento das
candidaturas ao regime jurídico de apoios a atividades culturais, Sofia
Ribeiro afirmou que recebeu o email no mesmo dia que a comunicação
social e ainda não teve “tempo de pronunciamento”.