BE/Açores aplaude veto a diploma sobre trabalho médico extraordinário
11 de out. de 2022, 14:39
— Lusa/AO Online
O
BE "foi o único partido a votar contra a proposta do Governo que
pretendia obrigar os médicos a fazer horas extraordinárias sem limites",
lê-se num comunicado de imprensa do partido.O
Bloco sublinha que "o veto do Representante da República aponta os
mesmos problemas que levaram o Bloco a considerar que a iniciativa era
um ataque aos direitos laborais dos médicos e um potencial perigo para
os utentes devido ao excesso de horas de trabalho".Por
isso, o partido defende que o Governo e os partidos que "aprovaram a
proposta só têm um caminho: iniciar um processo de negociação com os
sindicatos dos médicos que leve a uma profunda alteração da proposta".O
BE sublinha que o Representante da República "levanta as mesmas
preocupações, salientando também a inconstitucionalidade óbvia e
flagrante da proposta aprovada"."A
melhoria da prestação de cuidados de saúde passa, para além da boa
gestão dos recursos, pela contratação dos profissionais necessários,
criando incentivos reais e atrativos para todos os médicos e não pela
proliferação sem limite de trabalho suplementar que não serve ao Serviço
Regional de Saúde nem aos utentes", defende.O
Representante da República para os Açores devolveu na segunda-feira ao
parlamento regional, para “nova apreciação”, o decreto de reforço do
pagamento de horas extraordinárias do trabalho médico em serviços de
urgência e atendimento permanente do Serviço Regional de Saúde.Numa
nota de imprensa, o Representante da República, Pedro Catarino, alerta
que o diploma, aprovado em setembro pela Assembleia Legislativa
Regional, não fixa um limite máximo ao trabalho suplementar dos médicos o
que, “em última análise”, pode colocar “em causa a qualidade dos
serviços e poderia até constituir um risco para a saúde dos utentes”.Pedro
Catarino assinala que, “se tomado à letra”, o artigo 1.º do decreto
“permitiria que as chefias do Serviço Regional de Saúde [SRS]
determinassem a realização de trabalho suplementar de forma contínua,
sem acautelar os necessários períodos de descanso dos médicos e o
equilíbrio entre a sua vida familiar e a atividade profissional”.Por outro lado, acrescenta, aquele artigo é “constitucionalmente improcedente”.O
diploma, apresentado pelo Governo Regional, teve dois votos contra, dos
dois deputados do BE, contando com 24 votos favoráveis do PS, 20 do
PSD, dois do CDS-PP, um do PPM, um do Chega, um do PAN e um do deputado
independente Carlos Furtado (ex-Chega).