BE/Açores alerta que privatização da Azores Airlines "não tem pernas para andar"
31 de out. de 2025, 17:00
— Lusa/AO Online
“É mais do
que tempo de o Governo Regional parar e voltar a negociar com a Comissão
Europeia uma solução para este processo. Reafirmamos que, no caso da
Azores Airlines, só vemos uma saída viável: uma articulação estreita com
a TAP. Não vemos outra solução”, defendeu o deputado único do Bloco de
Esquerda (BE) na Assembleia Legislativa dos Açores, António Lima, após
uma reunião com o Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos
(SITAVA), no âmbito do processo de privatização da Azores Airlines, do
grupo SATA.Para o parlamentar do
BE/Açores, “essa articulação tem de ser negociada entre Governos”,
alertando que cada novo prazo que “se queima” para apresentação de
propostas para a privatização da Azores Airlines coloca o grupo à “beira
de um precipício”.“O processo de
privatização da Azores Airlines não tem pernas para andar. O Governo
[Regional] colocou à frente da empresa a ameaça de encerramento se não
for privatizada até ao final do ano. Faltam dois meses, e isso é grave”,
apontou António Lima, que é também coordenador regional do BE/Açores.O parlamentar lamentou ainda a “falta de transparência e a confusão” que marcam o processo de privatização.“O
que se constata é uma enorme preocupação com o futuro do grupo SATA. Há
sucessivos prazos que são anunciados e não são cumpridos, não se
percebe o que se está a negociar e com quem. Há notícias de reuniões com
representantes dos trabalhadores, mas não é o caso deste sindicato. Há
completa ausência de informação”, acusou.António
Lima disse que constatou durante a reunião com o SITAVA que “há uma
enorme preocupação com o futuro do grupo neste momento”, situação que
“se vem agudizando nos últimos tempos".O
deputado criticou também as declarações do presidente do Governo
Regional, José Manuel Bolieiro, alegando que o chefe do executivo
açoriano se “limitou a lamentar o ruído” em torno do tema.“O
que nos preocupa não é o ruído, é a total incapacidade do Governo em
levar este processo a bom porto e em cumprir o seu objetivo de salvar a
SATA. Teve todas as condições — uma injeção de capital de 453 milhões de
euros — e, ainda assim, a empresa nunca esteve em tão grande risco de
desaparecer”, sustentou.António Lima
considerou ainda “incompreensível” que o Governo Regional admita "a
privatização total" da operação de handling, considerando que “coloca em
causa o futuro da SATA Air Açores”, que assegura as ligações aéreas
entre as nove ilhas dos Açores."Esse
processo de privatização de 100% do handling está a ser trabalhado e
levará a que a SATA Air Açores deixe de ter qualquer viabilidade
futura", afirmou António Lima, para quem o grupo de aviação açoriano
SATA está "cada vez mais em risco existencial".O
parlamentar insistiu que é necessário garantir “uma empresa pública que
assegure a mobilidade dos açorianos e sirva a economia regional”,
manifestando-se preocupado com o futuro do grupo SATA, com os postos de
trabalho e o impacto económico e social na região."Tudo
isso deve-se à falta de um projeto e de uma visão daquilo que se quer
para a SATA. O que é que o Governo Regional do PSD/CDS-PP/PPM, o que é
que o José Manuel Boleiro quer para a SATA? Nós não sabemos", sustentou.