BE/Açores alerta que “há mais vida para além” dos fundos europeus
15 de set. de 2025, 16:13
— Lusa/AO Online
“Há mais
vida para além dos investimentos previstos no PRR [Plano de Recuperação e
Resiliência] ou nos restantes programas europeus, como Portugal 2030.
Isso significa que haverá muito investimento que é necessário e urgente,
que não é betão nem obra, que não será feito em 2026”, afirmou António
Lima.O deputado bloquista falava na sede
da Presidência, em Ponta Delgada, após uma reunião com o líder do
Governo Regional, que está a receber os partidos e parceiros sociais a
propósito da elaboração do Plano e Orçamento para 2026.António
Lima denunciou que a região está a caminho de um “novo tempo de
austeridade”, criticando as opções fiscais e orçamentais do executivo
açoriano nos últimos anos.“Na política
raramente há milagres. Não esperamos um Orçamento que seja aquilo que
gostaríamos. Por isso, não é surpresa para ninguém que tenhamos um mau
Orçamento e nós não acompanharemos um mau Orçamento”, declarou, quando
questionado pelo sentido de voto.O
deputado do BE na Assembleia dos Açores defendeu que o próximo Orçamento
regional deve dar “resposta às situações mais urgentes” como a crise na
habitação ou a falta de professores.“O
Governo Regional decidiu baixar impostos sobre os lucros, sobre os mais
ricos, e durante vários anos tentou vender uma ideia, que não é
verdadeira, foi quase fraude política, que foi o endividamento zero.
Este caminho dos últimos anos trouxe-nos até aqui a uma situação de
desequilíbrio orçamental”, insistiu.O
líder do BE nos Açores revelou ainda o “compromisso” do partido em
apresentar na Assembleia da República uma “alteração cirúrgica” à Lei de
Finanças Regionais, caso não esteja previsto um reforço de verbas para a
região no Orçamento do Estado para 2026.A discussão e votação do Plano e Orçamento dos Açores para 2026 vai acontecer em novembro na Assembleia Legislativa Regional.O
Plano e Orçamento da região para 2025 foram aprovados em novembro de
2024 com os votos a favor do Chega e dos partidos da coligação do
Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM), tendo PS, BE, IL e PAN votado contra.O
executivo saído das eleições legislativas antecipadas de 04 de
fevereiro de 2024 governa a região sem maioria absoluta no parlamento
açoriano e, por isso, necessita do apoio de outros partidos com assento
parlamentar para aprovar as suas propostas.PSD,
CDS-PP e PPM elegeram 26 deputados, ficando a três da maioria absoluta.
O PS é a segunda força no arquipélago, com 23 mandatos, seguido do
Chega, com cinco. BE, IL e PAN elegeram um deputado regional cada,
completando os 57 eleitos.