BE/Açores afirma que autonomia tem de garantir uma vida melhor
Hoje 17:31
— Lusa
“Para agir. Para proteger quem trabalha e quem vive nestas ilhas. [A autonomia] tem de servir para aquilo para que foi criada: garantir uma vida melhor”, afirmou António Lima na sessão solene do Dia dos Açores, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, no ano em que se comemoram os 50 anos da autonomia.O parlamentar e líder regional do BE açoriano acrescentou que os próximos 50 anos de autonomia “não se garantem com discursos para manter tudo como está. Garantem-se com esperança, mudanças profundas e resultados”.“Só haverá futuro se a autonomia for capaz de concretizar aquilo que Abril prometeu - uma vida digna para quem aqui vive. Porque a autonomia só faz sentido se for vivida pelas pessoas. E só dura se for útil”, declarou.Na intervenção, o parlamentar do Bloco também referiu que 50 anos de autonomia são motivo de celebração.“São anos que nos obrigam a lembrar e a reconhecer todos aqueles que fizeram este caminho: quem lutou, quem resistiu, quem construiu, e quem, todos os dias, continua a defender a autonomia, sem desistir”, disse.Admitiu, no entanto, que a autonomia, nascida da Revolução de Abril e da Constituição democrática, “não é uma abstração, nem peça de museu”: “É escola, é hospital, é estrada, é porto. É salário, é trabalho, é casa, é dignidade.”António Lima salientou que trouxe para os Açores “avanços reais, concretos”, que mudaram a vida das pessoas, mas celebrar hoje 50 anos de autonomia é olhar para quem vive nos Açores e “responder no presente”.“Responder a quem, no seu dia-a-dia, mantém estas ilhas vivas. A quem trabalha, resiste e insiste. A quem continua a acreditar no futuro. Porque a autonomia não é um fim em si mesma. É um instrumento, e só faz sentido se melhorar a vida de quem cá vive”, vincou.Para António Lima, celebrar a autonomia é, antes de mais, “celebrar quem trabalha fora dos palácios e dos gabinetes”.“É olhar para o pescador que se levanta de madrugada e enfrenta mais uma vez o mar. Para a operária da fábrica, que passa a vida inteira com o salário mínimo. Para a trabalhadora doméstica, que percorre infindáveis casas para pagar as contas ao fim do mês. Para o agricultor, que de sol a sol, vê os custos aumentarem e o rendimento encolher”, exemplificou, referindo que é a “este povo” que a autonomia “tem de prestar contas”.O deputado do BE também salientou que no presente os desafios são claros: “Os salários não chegam ao fim do mês. As desigualdades acentuam-se. O navio que se atrasa aumenta a conta no supermercado. E cada custo que sobe pesa diretamente na vida de toda a gente”.Perante isto, a autonomia “não pode ser apenas memória”, tem de ser “resposta, presente e futuro” e “tem de ter coragem para destronar a desigualdade e o isolamento”.As comemorações que hoje decorrem em Ponta Delgada são uma organização conjunta da Assembleia Legislativa e do Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM), na sequência da instituição do Dia da Região Autónoma dos Açores, em 1980, para comemorar a açorianidade e a autonomia.A data, feriado regional, é celebrada na Segunda-feira do Espírito Santo.Na sessão solene vão ser impostas 25 insígnias honoríficas açorianas que distinguem cidadãos e pessoas coletivas que se tenham destacado “por méritos pessoais ou institucionais, atos, feitos cívicos ou por serviços prestados à região”.Serão atribuídas seis insígnias autonómicas de reconhecimento, duas de mérito profissional, três de mérito industrial, comercial e agrícola, e catorze de mérito cívico.