BE/Açores acusa Governo Regional de falta de transparência sobre hospital modular
18 de jul. de 2024, 15:18
— Lusa/AO Online
"O anúncio da abertura
do serviço de urgência até final de agosto e dos restantes serviços -
imagiologia, bloco operatório, unidade de cuidados intensivos – apenas
em outubro, significa que o serviço de urgência não poderá funcionar em
pleno, uma vez que isso não é possível sem esses serviços de apoio que
só entrarão em funcionamento em outubro", considera o Bloco.Na
quarta-feira, a secretária regional da Saúde, Mónica Seidi, anunciou
que o hospital modular que está a ser construído em Ponta Delgada, nos
Açores, estará operacional em agosto, sendo o serviço de urgência a
primeira valência a abrir e, no seu todo, a estrutura estará concluída
no final de outubro.Para o BE nos Açores,
"mais uma vez, o Governo Regional não está a ser transparente com os
utentes em relação aos cuidados de saúde que terão nos próximos tempos",
alegando que "a única novidade" avançada na quarta-feira pelo executivo
açoriano "foi o adiamento da abertura do funcionamento pleno do
hospital modular de agosto para outubro".O
partido lembra recentes declarações, a 07 de junho, da secretária
regional da Saúde, que "garantiu que o hospital modular estaria em
funcionamento até ao fim do mês de agosto", um compromisso que "foi
reafirmado publicamente pelo presidente do governo [regional] no dia 18
de junho".O Bloco de Esquerda manifesta,
por isso, "estupefação" com o anúncio feito na quarta-feira, dizendo
"que, afinal, a abertura plena do hospital modular foi adiada para
outubro".Por isso, acrescenta o BE, é
"cada vez mais difícil de perceber o racional da opção pela
infraestrutura modular anunciada em detrimento da aposta na reabertura
plena do HDES [Hospital do Divino Espírito Santo], quando mesmo o fator
tempo já derrapou dois meses".O Bloco
aponta que a infraestrutura modular, que "custará 14 milhões de euros, a
que acresce o valor dos equipamentos", terá uma capacidade muitíssimo
inferior à do HDES e que só funcionará em pleno em outubro."Isso,
se, entretanto, não houver mais adiantamentos [nas datas]", aponta o
Bloco, criticando "a ausência de explicações" do executivo açoriano
"sobre o que impede a reabertura em pleno dos serviços no edifício do
HDES que ainda se encontram encerrados, nomeadamente sobre o que tem
levado à alegada má qualidade do ar e concretamente quais são os
parâmetros que têm falhado nas análises efetuadas".O
hospital modular está a ser instalado no perímetro do Hospital do
Divino Espírito Santo, a maior unidade de saúde dos Açores, localizada
na ilha de São Miguel, afetado por um incêndio a 04 de maio e cujos
prejuízos estão estimados em 24 milhões de euros.O
incêndio no Hospital de Ponta Delgada obrigou, na ocasião, à
transferência de todos os doentes que estavam internados para vários
locais dos Açores, Madeira e continente.