BCE anuncia decisão sobre taxas de juro numa altura de turbulência bancária
16 de mar. de 2023, 07:46
— Lusa/AO Online
A
instituição presidida por Christine Lagarde indicou recentemente ser
provável um aumento das taxas de juro em mais 50 pontos base, mas a
falência do Silicon Valley Bank (SVB), nos Estados Unidos, e as suas
repercussões em outras instituições bancárias criaram um desafio
adicional para o BCE quanto à subida das taxas de juro para travar a
inflação.A instituição pode "aumentar
menos" as taxas, após a subida que é esperada para hoje, considerou
Robert Halver, analista do Baader Bank, citado na terça-feira pela AFP.Trata-se
de "aliviar a pressão", quando "o sobreendividamento é muito
significativo na economia" e as taxas elevadas podem fragilizar ainda
mais os bancos, explicou o mesmo analista.Na
segunda-feira, face ao nervosismo nos mercados com a agitação no
sistema financeiro, após o colapso do SVB e dificuldades em várias
outras entidades bancárias norte-americanas, os dirigentes europeus
tentaram acalmar os ânimos, afirmando que não há risco de contágio e que
"o sistema bancário é sólido", repetindo uma afirmação que o próprio
Presidente norte-americano, Joe Biden, fez logo de manhã, numa
declaração na Casa Branca.Quando esta
turbulência financeira vinda dos Estados Unidos estava longe de surgir, a
presidente do BCE, Christine Lagarde, anunciou, ainda em fevereiro, que
seria quase certo um novo aumento de 50 pontos base nas taxas de juro
na reunião de março.Lagarde repetiu essa
intenção em várias intervenções públicas, numa altura em que a inflação
na zona euro continua a evoluir em níveis que ultrapassam largamente a
meta de 2% a médio prazo fixada pelo BCE.Depois
do aumento de preços que se seguiu à ofensiva russa na Ucrânia, o BCE
iniciou em julho passado um ciclo inédito de subida das taxas de juro,
pondo fim a uma década de dinheiro barato.Mas,
o consenso alcançado até agora no Conselho do BCE quanto ao
endurecimento da política monetária deverá dar lugar a "um debate muito
animado" na reunião de hoje sobre o que se segue, segundo Carsten
Brzeski, economista da ING.Os defensores
de uma política mais flexível por parte da instituição monetária poderão
defender uma abordagem mais prudente a partir de agora, contra a
continuação de aumentos mais agressivos no custo do dinheiro que tem
sido preconizada pelos chamados 'falcões'.Lagarde tem afirmado que fará "tudo o que for preciso" para restabelecer a estabilidade de preços.A
taxa de inflação na zona euro recuou em fevereiro pelo quarto mês
consecutivo e passou para 8,5%, quando tinha ficado em 8,6% em janeiro,
segundo o Eurostat, mas a inflação subjacente, que exclui os preços da
energia e dos alimentos e é considerada mais representativa das
tendências a longo prazo, atingiu um nível recorde de 5,6% em fevereiro.O
BCE divulga hoje novas previsões de crescimento e de inflação que
ajudam a reavaliar a situação e a definir a futura orientação.