Bastonário dos médicos diz que é preciso corrigir falhas no SINACC
Hoje 15:04
— Lusa/AO Online
“Há falhas nos atos médicos descritos, há
falhas na monitorização e na avaliação de todo o sistema”, disse Carlos
Cortes, adiantando que no início da próxima semana a Ordem dos Médicos
vai enviar ao Ministério da Saúde um documento com “10 a 12 sugestões de
correção” do SINACC.“Eu não queria daqui a
poucos meses estar a dizer que o SINACC também está a falhar, mas da
forma que foi elaborado tem todas as condições para as coisas não
correrem bem”, acrescentou, admitindo, no entanto, que o Ministério da
Saúde poderá ainda introduzir alterações que tornem o sistema “fiável” e
capaz de responder às necessidades dos doentes.O
bastonário da Ordem dos Médicos, que falava aos jornalistas no final de
uma visita à Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP) de
Almada, lembrou ainda que o SINACC foi criado para substituir o SIGIC
(Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia), que
apresentava muitas falhas.Questionado
sobre a retenção de ambulâncias à porta dos hospitais por falta de
macas, o bastonário considerou ser uma situação “inadmissível”.“Não
podemos ter ambulâncias à porta dos hospitais à espera de que os seus
doentes possam ter uma maca, uma cama, para serem recebidos dentro do
hospital”, disse, salientando que a retenção de macas impede os meios de
socorro de responderem a outras emergências.O
bastonário frisou ainda que se trata de uma situação que “acontece
permanentemente”, não apenas no verão, e que tem de ser resolvida pelos
hospitais, Unidades Locais de Saúde (ULS) e Direção Executiva do SNS,
reiterando a disponibilidade da Ordem dos Médicos para colaborar na
procura de soluções.Sobre o funcionamento
da urgência de obstetrícia do Hospital Garcia de Orta, em Almada, Carlos
Cortes reconheceu que existe uma “sobrecarga e uma grande pressão
devido à concentração de utentes provenientes de outras maternidades com
constrangimentos”, mas afirmou-se convicto de que os profissionais
daquele hospital “vão continuar a dar resposta”, embora sujeitos a um
“esforço enorme, com turnos atrás de turnos”.Carlos
Cortes alertou, contudo, para a “carência muito grave de anestesistas”,
lembrando que o funcionamento das maternidades não depende apenas de
obstetras e neonatalogistas, mas também de médicos anestesistas.“É
uma mensagem para a Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde para
se preocupar com essa situação”, afirmou, anunciando que irá reunir-se
em breve com o conselho de administração do Garcia de Orta para
procurar soluções, face à falta de médicos anestesistas.Carlos
Cortes manifestou ainda preocupação com a urgência de obstetrícia do
Hospital de São Francisco Xavier, em Lisboa, que “deverá permanecer
encerrada durante todo o mês de agosto, assegurando apenas resposta
emergente quando acionada pelo INEM”.Na
visita à UCSP de Almada, o bastonário fez ainda um balanço positivo da
situação dos cuidados de saúde primários na Unidade Local de Saúde (ULS)
Almada-Seixal, salientando que o número de doentes sem médico de
família naquela unidade tem vindo a diminuir, apesar de ainda haver 55
mil utentes sem médico de família num universo de 380 mil utentes do
Seixal e de Almada.“O objetivo seria todos
os utentes terem médico de família, mas reconhecemos que houve aqui um
esforço muito importante na contratação de médicos”, afirmou, destacando
ainda a importância da deslocação de especialistas hospitalares aos
centros de saúde para realização de consultas.