Bastonário defende diálogo entre médicos e administração do Hospital de Ponta Delgada
24 de ago. de 2021, 06:15
— Lusa/AO Online
"Os
médicos estão interessados em ajudar os açorianos. Estão interessados em
ajudar o Hospital, mas eles precisam de sentir que são respeitados,
precisam de sentir que são ouvidos e precisam de sentir que partilham
das decisões que são tomadas. E isto é absolutamente essencial naquilo
que é a organização e o próprio planeamento de uma unidade de saúde,
neste caso do Hospital", disse o bastonário, em declarações aos
jornalistas, na ilha de São Miguel.No
passado dia 14 de julho, a delegação dos Açores do Sindicato
Independente dos Médicos (SIM) manifestava-se "muito preocupada" com o
clima "de mal-estar" no Hospital de Ponta Delgada, devido à "falta de
diálogo institucional do conselho de administração" com os clínicos.Num
comunicado enviado à agência Lusa, na altura, o SIM referia que os
associados do sindicato manifestaram a “existência de mal-estar dos
médicos na relação com o conselho de administração (CA) do
HDES”(Hospital do Divino Espírito Santo), particularmente “pela falta de
diálogo institucional”. "Os médicos foram
unânimes na denúncia de situações muito graves, relativas quer à forma,
quer ao conteúdo da gestão por parte do CA", apontava o sindicato.Na
resposta, o conselho de administração do Hospital de Ponta Delgada
afirmou que não ser verdade que exista um “ambiente geral de
insatisfação” na instituição com "mais de 2000 trabalhadores", ou
“ausência de diálogo do CA com o corpo clínico”.Hoje,
após uma audiência no Palácio de Sant’Ana, com o presidente do Governo
Regional, e onde esteve também o secretário Regional da Saúde e
Desporto, Clélio Meneses, o bastonário da Ordem dos Médicos disse aos
jornalistas que vai reunir-se "na terça-feira" com a administração do
Hospital do Divino Espírito Santo."Espero
que exista da parte da administração do Hospital uma abertura maior para
compreender estes problemas que têm acontecido recentemente. Espero que
a administração esteja disponível para partilhar as decisões com os
médicos, nomeadamente através da sua direção clínica", para "ouvir" os
clínicos, para "os motivar e estimular", sustentou.E, acrescentou Miguel Guimarães, "tenho a certeza que a administração do Hospital pensará da mesma forma". Os
"médicos neste momento precisam de ser acarinhados, precisam de ter
mais respeito de quem faz a gestão direta da unidade de saúde", vincou o
bastonário da Ordem dos Médicos.Miguel
Guimarães salientou que a Ordem dos Médicos "está totalmente disponível
para ajudar" as autoridades locais na resolução destes "problemas que
vão existindo" na área e que "não existem só nos Açores, existem em todo
o lado"."Os médicos procuraram a Ordem para uma intervenção no sentido de tentar encontrar o equilíbrio", explicou. O
presidente do Governo dos Açores reiterou a disponibilidade para
colaborar de forma “preventiva no surgimento de dificuldades que possam
surgir”."Estamos disponíveis para
trabalhar e resolver uma dificuldade, evitando um problema e encontrando
oportunidades", sustentou o chefe do executivo açoriano, de coligação
PSD/CDS-PP/PPM.José Manuel Bolieiro
referiu que “o Governo dos Açores encara como positiva a auscultação da
Ordem dos Médicos”, realçando que "quando é possível resolver um
problema no seu início, mais eficaz se torna a intervenção".O
presidente do Governo dos Açores adiantou ainda que estão a ser
desenvolvidos "procedimentos de contratação pública para a fixação de
médicos no quadro do Serviço Regional de Saúde”, em conjunto com o
secretário regional da Saúde e Desporto.