Bastonário da Ordem dos Avogados defende combate ao isolamento da advocacia
13 de jun. de 2025, 16:21
— Lusa/AO Online
“Há claramente um
isolamento da advocacia. E, isso tem sido uma das queixas que mais temos
ouvido”, afirmou João Massano, em declarações à agência Lusa, no dia em
que tomam posse, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, os membros do
Conselho Regional dos Açores da Ordem dos Advogados eleitos para o
triénio 2025/2027.Segundo o bastonário, a
advocacia açoriana enfrenta dificuldades acrescidas, nomeadamente ao
nível da formação, da disponibilidade de meios técnicos e no acesso a
recursos, quando comparada com regiões como Lisboa.“O
acesso é diferente”, assinalou João Massano, garantindo que a Ordem dos
Advogados “irá estar mais próxima” dos profissionais açorianos, com
medidas concretas como a criação de grupos de trabalho e a realização de
inquéritos para “adequar a ação do Conselho Geral às necessidades
específicas dos Açores em matéria de formação e em tudo que seja
necessário”.Nesse sentido, explicou que as
verbas da Ordem são distribuídas de acordo com o número de advogados em
cada Conselho Regional, daí que os Açores tenham uma verba inferior aos
outros Conselhos Regionais. “A nossa
ideia é que Conselhos com menos meios devem ser apoiados de forma
diferente pelo Conselho Geral”, sustentou, afirmando que “uma quota paga
por um advogado deve valer o mesmo, esteja ele em Lisboa, nos Açores ou
no interior do país".Para estas regiões
que "têm menos acesso a determinados meios a Ordem tem que dar um apoio
diferente", reforçou João Massano, à Lusa.O
bastonário da Ordem dos Advogados referiu-se ainda à "falta de
investimento na justiça", o que origina "um défice" de oficiais de
justiça, condições deficitárias de vários tribunais e a sobrecarga de
"trabalho dos procuradores", transversal ao país.No
caso dos Açores, alertou para a situação do estabelecimento prisional
de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, cuja construção da nova cadeia
"é reivindicada há vários anos"."O que se
tem notado ao longo dos últimos anos é que a justiça é um direito de
segunda relativamente à saúde e à educação. E a falta desse investimento
tem conduzido a situações como aquela que se verifica no
estabelecimento prisional de Ponta Delgada, pois há anos que se
justificava outro estabelecimento, com outra capacidade", apontou João
Massano.A Ordem dos Advogados assinalou,
na quinta-feira, em Ponta Delgada, os seus 99 anos, tendo o bastonário
recordado que existe uma deliberação do Conselho Geral para a realização
de eventos comemorativos do centenário, no próximo ano, em cada um dos
Conselhos Regionais."Estamos aqui nos
Açores no sentido de dar um sinal claro de que pretendemos que a Ordem
esteja junto de todos os advogados onde quer que eles se encontrem",
reforçou.