Bastonário agradece aos médicos e pede "reformas estruturais" no SNS
18 de out. de 2022, 10:48
— Lusa/AO Online
Numa mensagem divulgada, Miguel Guimarães reforça ainda o apelo ao investimento nas
carreiras médicas, lembrando que os médicos “são os principais
responsáveis pela saúde dos cidadãos, tanto nos momentos de maior
fragilidade, mas também tendo em vista a prevenção da doença”.“Daí
ser imperativo homenagear estes profissionais. Face à crise atual que
afeta o setor da saúde, em particular o SNS”, refere na nota,
sublinhando: "Quem não gosta de médicos não gosta de doentes e não
entende a missão de proteger as pessoas".Miguel
Guimarães salienta as “falhas do novo Orçamento do Estado para 2023,
cuja despesa com pessoal sobe apenas 2,9% - um valor menor do que é
gasto em horas extraordinárias”. “Trata-se,
novamente, de um documento que perpetua a desvalorização das carreiras e
do trabalho dos médicos, o que por sua vez incentiva a sua saída para o
setor privado ou para o estrangeiro”, considera.O
bastonário insiste na necessidade de “reter talento”, “criar boas
condições de trabalho” e “valorizar o trabalho e a responsabilidade de
todos os médicos”, considerando que só assim se conseguirá resolver “a
crise crónica que existe no Serviço Nacional de Saúde”.Defende
que, neste momento, o SNS “não garante o pressuposto constitucional da
acessibilidade universal aos cuidados de saúde”, considerando que a
situação “é grave e exige retificação urgente”.“Daí
serem necessárias reformas estruturais capazes de modernizar a gestão,
de o tornar mais competitivo, dar mais autonomia e flexibilidade de
gestão às unidades de saúde na contratação de capital humano ou compra
de equipamentos”, insiste.Perante o
“quadro político de incerteza”, a Ordem dos Médicos vai lançar em breve o
novo relatório das carreiras médicas, que está em fase de finalização. “Sem saúde existem mais doentes e os nossos serviços de saúde ficam mais frágeis e menos sustentáveis”, acrescenta o bastonário.