Base Espacial da Força Aérea visa reforçar a autonomia nacional no lançamento de satélites
Hoje 10:08
— Ana Carvalho Melo
A ilha de Santa Maria vai acolher a Base Espacial da Força Aérea Portuguesa, uma nova infraestrutura junto ao aeroporto que visa reforçar a autonomia nacional no lançamento de satélites.Ao Açoriano Oriental, a Força Aérea Portuguesa revelou que o projeto da Base Espacial da Força Aérea Portuguesa visa desenvolver, no quadro da Agenda New Space Portugal do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), uma infraestrutura nacional de acesso ao espaço (porto espacial/centro de lançamentos), com utilização dual (comercial e de Defesa).Explicou ainda que o projeto está concebido para responder à crescente necessidade de garantir autonomia estratégica de lançamento em território nacional e para a Europa, pelo que permitirá “completar uma cadeia de valor para uma autonomia nacional plena na capacidade de integração (fabrico) e lançamento de satélites”.Em Santa Maria, esta infraestrutura “beneficiará da posição geoestratégica da ilha”, que favorece lançamentos em direção a Norte e Sul, com corredores aéreos e marítimos significativamente menos congestionados, em comparação com outras localizações na Europa, como Kiruna (Suécia), Andøya (Noruega) ou regiões do Reino Unido e da Escócia (Cornwall e SaxaVord). E deste modo permitirá também lançamentos para órbitas inclinadas e outras configurações menos acessíveis a partir do norte da Europa, sendo que a segurança nos lançamentos foi um fator determinante na escolha da localização.“A Base Espacial da Força Aérea Portuguesa está a ser desenvolvida com o objetivo de funcionar de forma independente, compatível com diversos ambientes e operadores, militares e civis, focada na interoperabilidade e flexibilidade, mas garantindo os requisitos dos lançadores europeus que se encontram em desenvolvimento no quadro da Agência Espacial Europeia, no âmbito do European Launcher Challenge. A infraestrutura está a ser edificada tendo por base esses lançadores europeus, exclusivamente”, explicou fonte da Força Aérea.Atualmente, na ilha de Santa Maria, está também a ser desenvolvido o porto espacial da Malbusca, operado pelo consórcio Atlantic Spaceport Consortium (ASC). Sobre este projeto, a Força Aérea revelou que “a estrutura em edificação pela Força Aérea Portuguesa apoiará desenvolvimentos tecnológicos e industriais, sendo possível a cooperação e coordenação com o projeto da Malbusca, assim como com os demais projetos do Santa Maria Space Hub, concretamente o Space Rider da Agência Espacial Europeia”.“A ilha de Santa Maria possui, na Malbusca, a primeira licença nacional para operar um centro de lançamentos, com enfoque nos microssatélites. Este centro de lançamentos não possui os requisitos necessários para os lançadores europeus que se encontram em desenvolvimento no quadro da Agência Espacial Europeia para o European Launcher Challenge, pelo que não se pode estabelecer uma comparação com o projeto em curso da Força Aérea Portuguesa”, explica.E acrescenta: “Neste contexto, não se pretende criar concorrência, mas sim fomentar a complementaridade e o suporte ao desenvolvimento desta capacidade de acesso ao espaço no quadro nacional, alavancando investimentos e criação de emprego qualificado, potenciando a fixação de talento e de empresas tecnológicas nos Açores, e criando postos de trabalho em áreas como engenharia de software, aeroespacial e processamento de dados”.A Força Aérea realça ainda que “estas áreas são fundamentais para uma atuação eficiente e eficaz da Defesa Nacional, em particular nas missões de busca e salvamento, bem como para a monitorização da vasta área do Atlântico sob responsabilidade nacional”.“A Força Aérea Portuguesa, com o projeto para a ilha de Santa Maria e outros em curso, como a Constelação do Atlântico e o Alverca Space Hub, constitui-se como um elemento acelerador e multiplicador da Estratégia Nacional para o Espaço”, conclui.