Barreira para conter e desviar as algas está a ser testada na baía de Porto Pim

Hoje 09:14 — Rui Jorge Cabral

Se a ‘alga asiática’, que invadiu o mar dos Açores, pode ser matéria-prima renovável para a produção de um biocombustível, contribuindo desta forma para a limpeza das costas e praias açorianas, primeiro é preciso recolhê-la em segurança. Nesse sentido, a baía de Porto Pim, na cidade da Horta, bastante fustigada por esta alga invasora, está a servir para a realização de uma experiência com o recurso a uma barreira que retém as algas e as encaminha para arrojamento numa zona onde a sua recolha pode ser feita com maior segurança. Conforme explica em declarações ao Açoriano Oriental António Neto, sócio-gerente da Ad Mare Solutions, “estas barreiras têm dupla malha reforçada para as águas do Atlântico”, tendo a baía de Porto Pim sido escolhida juntamente com o Governo Regional como o local ideal para fazer a primeira experiência com estas barreiras nos Açores.  Objetivo é “de uma forma natural encaminhar as algas que entram aqui na baía para a rampa da baía de Porto Pim para, de uma forma mais prática, serem recuperadas e não arrojarem na praia”, explica António Neto. A utilização destas barreiras, pode ser importante na recolha das algas, uma vez que, afirma António Neto, “as condições atmosféricas são muito variáveis, as zonas de rebentação são muito fortes e não se pode arriscar a vida das pessoas para irem recolher as algas às rochas, portanto terão que ser recolhidas em determinados pontos que ofereçam segurança”.O Porto Velho, na Vila da Madalena, na ilha do Pico, também poderá ser um bom local para a instalação de uma barreira de retenção e desvio das algas.Refira-se, por fim, que a produção de biocombustível não é o único recurso que pode ser extraído da ‘alga asiática’, uma vez que  durante o processo de destilação da alga para a produção de etanol, sobra muita água quase pura, que poderá ser utilizada no combate aos incêndios, em regas durante o verão,  ou até pelas unidades hoteleiras. Além disso, a alga invasora também pode ser transformada num material de isolamento para habitações, a exemplo do que já acontece na Alemanha, com o recurso a outro tipo de algas. E em Espanha, as algas também são utilizadas na produção de aglomerados para a construção de mobiliário. Portanto, conclui o sócio-gerente da Ad Mare Solutions, “há muitas aplicações” possíveis para a alga invasora.