Tem acompanhado este período eleitoral nos Açores?Tenho. Acabei há
um tempo de ver uma série e estava a precisar de ver outra. A primeira
temporada não está a ser extraordinária. Em todo o caso, é interessante
notar que alguns personagens, que conhecemos de séries antigas, se
apresentam agora com novas facetas, outrora ocultadas. Os argumentistas
quiseram, por exemplo, que José Manuel Bolieiro surgisse em registo
inflamado e mandão e que Vasco Cordeiro aparecesse em modo sereno
“presidente de confiança”. Uma segunda temporada, mais imprevisível, com
mais ação e novas relações, algumas delas certamente perigosas, vai
começar no dia a seguinte às eleições.Que opinião tem sobre a atual situação?É
como o tempo dos Açores: embora haja informação por parte dos
meteorologistas, está um pouco imprevisível. Nota-se que paira, entre
alguns concorrentes eleitorais, o anseio de que haja uma espécie de
efeito Rabo de Peixe: que venha ter à costa uma série de boletins de
voto com uma cruzinha no seu partido. Não deverá ser possível.Quem gostaria que vencesse as eleições?Não
caio em armadilhas que me tramem o futuro. O melhor é estar calado por
agora para não inviabilizar convites depois de domingo. O mais sensato é
sucumbir à tentação de miss universo de dizer “a paz, a felicidade e o
amor”. Descendo ao concreto. Seria bom que pessoas como a Paula Decq
Mota, que acreditam, com genuinidade e verdade, nas suas causas, fossem
eleitas. Gostava também que o parlamento regional, cada vez mais sisudo,
crispado e refilão, tivesse mais sentido de humor. Não há civilização
sem humor.Qual deve ser a prioridade da governação?Há, é óbvio,
áreas em que o governo deve intervir numa região como a nossa. Na
educação e na cultura, por exemplo. Sugiro que, no caso da educação, se
estudem os melhores modelos, com os melhores resultados, os mais
exigentes (isto só vai lá com exigência) e criativos, para depois
aplicá-los no caso concreto e único das nossas ilhas. Correndo o risco
de parecer que o meu discurso foi escrito por um assessor estagiário (se
calhar foi, para gerar emprego), digo que a prioridade da governação
deve ser ajudar a edificar uma região melhor, mais justa para os seus
cidadãos, mais próspera economicamente, em articulação com uma
comunidade com iniciativa e sentido de risco. Se isso não for possível,
ao menos que não se façam grandes asneiras.