Banhos Férreos nas Furnas encerrados há uma década
9 de set. de 2025, 10:20
— Carlota Pimentel
Os Banhos Férreos, nas Furnas, encontram-se encerrados desde novembro de
2015, depois de se ter verificado que a água da piscina estava
contaminada. O edifício foi entretanto transformado em restaurante e a
área envolvente em parque de estacionamento, situação que tem sido
contestada por alguns.“Entre 1996 e 2015, tudo funcionou com
normalidade, mas sob concessão para um privado, a 15 de novembro de
2015, a água da piscina foi encontrada contaminada”, afirmou Antero
Oliveira, natural das Furnas e emigrante nos Estados Unidos da América
desde os 17 anos.Segundo disse ao Açoriano Oriental, “fecharam a
piscina sem nenhuma investigação e o edifício foi transformado em
restaurante, e os arredores em parque de estacionamento”. Acrescentou
que “até à data, não foi averiguado de que forma esta contaminação da
água ocorreu”, tendo o edifício sido “imediatamente transformado em
restaurante”.Antero Oliveira referiu ainda que “nessa altura, o
INOVA fez análises à água de nascente e declarou que a água não estava
contaminada, somente a água da piscina”.“Não consinto que um sítio
daqueles esteja dentro de um restaurante, porque pode-se abrir um
restaurante noutro sítio qualquer”, realçou. Desde 2015 que Antero Oliveira tem procurado reverter a situação, pedindo que a decisão de encerramento seja reavaliada. “Em
1996, a minha mãe deu autorização à Câmara da Povoação para o uso de
parte do seu/meu terreno, para embelezar a área para fins turísticos.
Como esse terreno foi cedido para fins turísticos e agora não é, quero
resolver esse assunto o mais breve possível, visto que atualmente tudo
indica que nunca mais será retomado o plano original”, explicou.E
prosseguiu: “Os governos de Vasco Cordeiro e José Manuel Bolieiro têm
sido informados para avaliação e investigação, mas até à data nada tem
sido feito. O jogo do empurra continua”. O residente das Furnas sustenta ainda que “essa água de nascente está a ser desviada para um privado”.Ao
Açoriano Oriental, a Junta de Freguesia das Furnas afirmou não ter
conhecimento de qualquer desvio de água da nascente para fins privados.Questionada
sobre a concessão, elucidou que a Junta de Freguesia das Furnas é a
responsável pelo contrato do espaço onde funciona o restaurante Banhos
Férreos. O contrato tem a duração de 25 anos, entre 1 de setembro de
2007 e 31 de julho de 2032. De acordo com os termos, “o
concessionário obriga-se a deixar o local/estruturas exatamente igual à
forma original”, ficando também responsável pela conservação do
edifício.Quanto ao encerramento das piscinas termais, a Junta
recorda que “foram encerradas por ordem do Delegado de Saúde do Concelho
da Povoação a 25/11/2015”.Por sua vez, o Instituto de Inovação
Tecnológica dos Açores (INOVA) revela que realizou análises em 2015, que
concluíram que apenas a água da piscina estava contaminada, não a da
nascente.João Carlos Nunes, diretor Científico do INOVA, explicou
que “na altura, a piscina não estava em condições, ou seja, não tinha a
qualidade necessária para poder ser aberta ao público”, salvaguardando
que, porém, “a água na captação sempre esteve em condições, sempre
esteve bacteriologicamente adequada”.Sobre a origem da contaminação,
exemplificou: “Qualquer pessoa podia tomar banho na piscina. É um pouco
como a nossa banheira de casa. Quando acabamos de tomar banho, a água
está turva, porque transpiramos, temos partículas de pele que se soltam.
Na piscina pública são várias pessoas e é isso que leva, por vezes, a
que a água fique imprópria para ser usada”.Apesar de salientar que
“as águas minerais não podem ser tratadas com químicos”, indicou que
devem ser feitos “procedimentos de higienização dos espaços, a começar
pela piscina”, ou seja, esvaziar e limpar a piscina com frequência.Sobre
a decisão de encerrar a piscina e optar por dar outro uso ao espaço,
João Carlos Nunes disse que o INOVA “não tinha essa responsabilidade”,
limitando-se a efetuar análises para avaliar a qualidade da água. Contactado pelo Açoriano Oriental, Manuel Oliveira, responsável pelo restaurante Banhos Férreos, não quis prestar declarações.