Bancos portugueses com mais ativos financeiros internacionais com risco no 2.º trimestre
11 de out. de 2017, 11:23
— Lusa/AO online
Já na ótica do risco de última instância, o
valor dos ativos financeiros internacionais detidos pelos bancos
portugueses no período foi de 76 mil milhões de euros, tendo-se
verificado, em comparação com o trimestre anterior, um aumento de 266
milhões de euros. De acordo com as estatísticas bancárias
internacionais em base consolidada relativas ao segundo trimestre de
2017 publicadas pelo BdP, a diferença entre as duas óticas do risco
(dois mil milhões de euros) corresponde a ativos dos bancos "que são uma
responsabilidade de entidades portuguesas mas que, em última instância,
são garantidos por entidades não residentes". "Esta diferença representa uma transferência de risco líquida de Portugal para o exterior", sinaliza. Cerca de dois terços dos ativos financeiros internacionais detidos pelos bancos portugueses localizavam-se na União Europeia. A
exposição em risco de última instância a Estados-membros da União
Europeia e aos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) era
superior à exposição em risco imediato. Inversamente, acrescenta
o BdP, no que diz respeito aos PALOP (Países Africanos de Língua
Oficial Portuguesa), os bancos portugueses tinham uma maior exposição em
risco imediato do que de última instância: "parte dos ativos que estes
detinham sobre entidades residentes nos PALOP eram garantidos por
entidades não residentes neste grupo de países". Estas estatísticas do Banco de Portugal apresentam duas perspetivas da exposição internacional dos bancos com sede em Portugal. A
ótica do risco imediato diz respeito à exposição aos países com quem o
banco celebrou o contrato diretamente e que têm a responsabilidade
imediata perante a instituição financeira, enquanto a ótica do risco de
última instância representa a exposição aos países que garantem o
cumprimento do contrato em substituição da entidade com quem este foi
celebrado, refletindo a existência de garantias.