Bancos de pesca dos Açores ainda estão bem preservados
11 de set. de 2023, 16:12
— Lusa
“Era
impensável encontrarmos aquilo que encontrámos no Banco Princesa Alice
nesta missão, em que verificámos alguns impactos da pesca de palangre,
mas verificámos também a presença de colónias de corais negros de
grandes dimensões a cerca de 800 metros de profundidade que terão mais
de mil anos de idade”, disse o investigador Telmo Morato em declarações a
jornalistas no final da expedição.O
cientista referia-se à missão efetuada por 17 investigadores da
Universidade dos Açores, a bordo do navio “OceanXplorer”, considerado um
dos mais “sofisticados do mundo”, que entre 24 de agosto e 8 de
setembro percorreu quatro áreas marinhas da região (os bancos Princesa
Alice e D. João de Castro, a costa oeste da ilha do Faial, e a costa da
Piedade, na ponta da ilha do Pico).“São
resultados surpreendentes”, afirmou Telmo Morato, adiantando que os
investigadores saíram do Banco Princesa Alice, situado a cerca de 45
milhas náuticas (83,3 quilómetros) a sudoeste da ilha do Faial e um dos
principais bancos de pesca da região, com uma certeza: “ainda vamos a
tempo de proteger os ecossistemas marinhos vulneráveis do mar dos
Açores”.Os investigadores do Okeanos
descobriram também durante esta campanha oceanográfica uma nova área
marinha de profundidade, conhecida entre a comunidade científica por
'canhão' (desfiladeiro submarino), que está ainda por explorar.“É
um canhão que deve ter 15 quilómetros de comprimento e 100 metros de
profundidade, ambiente único em termos dos ecossistemas e que vai
requerer mais exploração da nossa parte, para verificar quais são as
comunidades biológicas que existem nestes habitats, que ainda não foram
muito estudados nos Açores”, sublinhou Telmo Morato.Durante
esta missão, que envolveu oito mergulhos em submarinos e 12 mergulhos
de veículos operados remotamente (ROV’s), foram também recolhidas
amostras de espécies até agora desconhecidas da comunidade científica.“A
utilização dos equipamentos sofisticados de exploração do mar profundo,
permitiu recolher 232 amostras biológicas de organismos que vemos nas
imagens, mas que ainda não estão identificados, e que poderão ser mesmo
novas espécies para a ciência”, realçou o investigador da Universidade
dos Açores.Durante a campanha
oceanográfica foram feitos levantamentos batimétricos de quase quatro
mil quilómetros quadrados, dos quais 630 quilómetros quadrados são
totalmente novos, para a base de dados do Instituto Hidrográfico da
Marinha Portuguesa.