Bancos Alimentares contra a Fome recolhem 2.130 toneladas de alimentos em dois dias
2 de dez. de 2019, 11:27
— LUSA/AO Online
Em declarações à Lusa, a
presidente da federação que reúne os 21 Bancos Alimentares contra a
Fome, Isabel Jonet, considerou ter sido "uma campanha muito, muito bem
sucedida", acrescentando que a quantidade total recolhida "ainda pode
aumentar". Isabel Jonet lembrou que a
recolha de alimentos "prossegue nos supermercados, e na internet até 08
de dezembro", através do site www.alimentestaideia.pt, ou em vales
("Ajuda Vale") disponíveis nos estabelecimentos comerciais.No
domingo à noite, o Presidente da República visitou as instalações do
Banco Alimentar, em Lisboa, e agradeceu os contributos dos portugueses. "Para
mim é uma boa surpresa, o tempo esteve muito mau, muito irregular, e
isso dificulta uma campanha desta natureza. Por outro lado, não se sabia
se havia ou não uma ligeira desaceleração económica, como é que as
pessoas iam realmente reagir e foram espetaculares em termos de
solidariedade", destacou."Significa que os portugueses se excederam, quem está de parabéns são os portugueses", reforçou Marcelo Rebelo de Sousa.Isabel
Jonet destacou também "a grande adesão de voluntários", cerca de 40 mil
dos 21 Bancos Alimentares (Abrantes, Algarve, Aveiro, Beja, Braga,
Castelo Branco, Coimbra, Cova da Beira, Évora, Leiria-Fátima, Lisboa,
Madeira Oeste, Portalegre, Porto, Santarém, Setúbal, S. Miguel,
Terceira, Viana do Castelo e Viseu). "Não
podemos deixar de sublinhar o papel dos voluntários, pessoas de todas as
idades, com convicções políticas e religiosas diversas que,
participando, lado a lado, contribuem de forma fraterna e solidária para
uma sociedade mais justa e coesa”, disse a responsável. "Temos
de agradecer aos milhares de doadores, aos voluntários, às empresas e
entidades que apoiaram esta campanha, dando assim o seu grande
contributo para que os Bancos Alimentares possam continuar a acudir a
muitas pessoas necessitadas", sublinhou Isabel Jonet. Os
géneros alimentares recolhidos serão distribuídos, a partir da próxima
semana, a 2.400 instituições de solidariedade social, que os entregam a
cerca de 380 mil pessoas com carências alimentares comprovadas, sob a
forma de cabazes ou de refeições confecionadas.Mais
de 2,2 milhões de pessoas estão em risco de pobreza em Portugal ou
exclusão social (21,6% da população), de acordo com dados divulgados
recentemente pelo INE. O Banco Alimentar
Contra a Fome foi criado em Portugal em 1991 com a missão de lutar
contra o desperdício e distribuir apoio alimentar a quem mais precisa,
em parceria com instituições de solidariedade e com base no trabalho
voluntário. A nível europeu, existem 290
Bancos Alimentares operacionais em 24 países, que, em 2018, distribuíram
mais de 781.000 toneladas de alimentos - equivalentes a 4,3 milhões de
refeições diárias, em parceria com 45.700 organizações sociais,
beneficiando mais de 9,3 milhões de pessoas.