Banco de Portugal revê em alta projeção de crescimento para Portugal
15 de dez. de 2017, 13:38
— Lusa/AO online
No
Boletim Económico de dezembro divulgado hoje, o banco central antecipa
que a economia portuguesa cresça 2,6%, mais 0,1 pontos percentuais do
que o esperado em outubro, e que cresça 2,3% no próximo ano, mais 0,3
pontos do que o estimado em junho, a última vez em que atualizou a
projeção para 2018.A
instituição liderada por Carlos Costa refere que "a atividade económica
continuará a apresentar um perfil de crescimento ao longo do horizonte
de projeção", ainda que "a um ritmo progressivamente menor", crescendo
1,9% em 2019 (acima dos 1,8% anteriormente estimados) e 1,7% em 2020
(não há projeções anteriores para este ano).Os
números hoje divulgados pelo BdP acompanham a expectativa do Governo
para este ano, que também antecipa um crescimento de 2,6%, e são
ligeiramente mais otimistas para 2018, uma vez que o executivo espera
que o PIB cresça 2,2% no próximo ano (abaixo dos 2,3% projetados pelo
banco central).O
crescimento do PIB de Portugal ficará "muito próximo do da média da
área do euro" até 2020 e, em termos do PIB 'per capita', "a convergência
real face à área do euro deverá continuar nos próximos anos de forma
ligeira", resultado em parte da redução da população em Portugal, refere
o BdP, concluindo que "esta evolução será insuficiente para compensar a
divergência real acumulada até 2013".Quanto
à composição do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), o BdP
antecipa que a formação bruta de capital fixo (FBCF) deverá ser a
componente "mais dinâmica", com crescimentos superiores a 5% em todos os
anos da projeção.Ainda assim, "o nível da FBCF em 2020 situar-se-á ainda 11% abaixo do observado em 2008", segundo o BdP.As
exportações deverão manter um "crescimento robusto no horizonte de
projeção, explicado pela evolução da procura externa e pela estimativa
de manutenção de ganhos de quota de mercado".Apesar
de estimar que o ritmo de crescimento das exportações abrande ao longo
dos anos (dos 7,7% este ano para os 4,1% em 2020), o BdP afirma que
"deverão atingir um nível 68% superior ao registado em 2008".Também
o consumo privado deverá apresentar um crescimento "relativamente
estável e inferior ao do PIB": depois de uma ligeira subida de 0,1% este
ano, deverá aumentar 0,6% no próximo, 0,4% em 2019 e 0,2% em 2020.Em
termos médios, este crescimento previsto para o consumo privado está
"aproximadamente em linha" com o esperado para o rendimento disponível
real, "o que se traduz numa taxa de poupança globalmente estável".O
desempenho antecipado para o consumo privado "reflete o desvanecer de
efeitos associados à concretização de despesas que tinham sido adiadas
no quadro da última recessão" e também a evolução do rendimento
disponível real, que será "influenciada por um crescimento moderado dos
salários reais e pela continuação da recuperação do mercado de trabalho,
embora a um ritmo progressivamente menor".Consequentemente,
e tendo em conta o "crescimento muito limitado da população ativa", a
taxa de desemprego irá "manter uma trajetória de redução": dos 8,9% este
ano para os 6,1% em 2020.No
entanto, o BdP alerta para que, "não obstante os progressos observados
desde 2013" no mercado de trabalho, "persiste uma percentagem de
desempregados de longa duração de difícil reincorporação no mercado de
trabalho".Relativamente
à inflação, o BdP afirma que o nível de preços "irá aumentar
significativamente em 2017, para 1,6%", e que nos anos seguintes se
mantenha em níveis "relativamente estáveis, com uma variação
progressivamente menor do preço dos bens energéticos a ser compensada
por uma aceleração moderada do IHPC [índice harmonizado de preços ao
consumidor] excluindo bens energéticos".A
economia portuguesa deverá "manter uma situação de capacidade de
financiamento em percentagem do PIB" até 2020 e o excedente da balança
corrente e de capital deverá manter-se "relativamente estável em 2017 e
aumentar moderadamente no período 2018-2020".O
banco central refere ainda que há "fatores de risco", considerando que
estes riscos são "essencialmente de origem externa", como a evolução da
crise na Catalunha, a possibilidade de as economias desenvolvidas
adotarem medidas protecionistas no médio prazo e a hipótese de algumas
economias emergentes altamente endividadas (e com destaque para a China)
fazerem "um ajustamento económico mais acentuado".O
BdP entende que, "além do impacto descendente negativo para a procura
externa dirigida à economia portuguesa", estes riscos "podem ter também
consequências ao nível da confiança dos agentes económicos, dos preços
das matérias-primas e de uma eventual apreciação adicional da taxa de
câmbio do euro".Outro
risco externo apontado foi "a persistência de vulnerabilidades no
sistema bancário" de alguns países do euro, o que o BdP considera que
"pode ser mitigado pela possibilidade de o atual momento cíclico se
revelar mais forte do que antecipado a nível global e interno, tendo em
conta a melhoria continuada da confiança dos agentes económicos e o
potencial impacto das medidas de política orçamental anunciadas nos
Estados Unidos da América".A
nível interno, a instituição alerta para "a hipótese de a dinâmica
recente dos preços de habitação ter um impacto superior ao esperado no
investimento neste setor e no consumo privado" e refere que, quanto à
inflação, os fatores de risco são ascendentes.Assim,
o BdP entende que os riscos que se colocam à atividade económica são
"ligeiramente ascendentes em 2017 e descendentes em 2018-2019".Para
o banco central, "o atual momento cíclico deve ser aproveitado para a
correção dos grandes desequilíbrios macroeconómicos que permanecem" em
Portugal, nomeadamente para "a redução do endividamento público e
privado", e o investimento "deve ser crescentemente dirigido para áreas
que permitam aumentar o produto potencial", o que deve ser feito
"através do aumento dos níveis de capital por trabalhador e de uma
melhor afetação de recursos".