Banco de Portugal mantém previsão da taxa de desemprego nos 10,1% em 2020
16 de jun. de 2020, 12:09
— Lusa/AO Online
O Boletim Económico conhecido hoje aponta que,
devido à contração da atividade decorrente da pandemia de covid-19, "o
emprego deverá registar uma queda significativa em 2020 e a taxa de
desemprego um aumento para cerca de 10%", depois de 6,5% em 2019.O
valor de 10,1% da taxa de desemprego para 2020 - acima da previsão de
9,6% do Governo - já tinha sido adiantado em março no cenário base
previsto no Boletim Económico, enquanto o cenário adverso apontava para
os 11,7%."O impacto da crise sobre o
mercado de trabalho tenderá a ser atenuado ou desfasado pela existência
de políticas que visam preservar o emprego e a liquidez das empresas",
aponta o banco central, sustentando que "o perfil temporal das variáveis
do mercado de trabalho dependerá do impacto e duração dessas
políticas".Apesar da
diferença considerável dos indicadores face aos valores registados
em 2019, o Banco de Portugal refere que "o impacto da contração da
atividade no emprego deverá ser mitigado e ligeiramente desfasado tendo
em conta as medidas adotadas, como o 'lay-off' simplificado"."Para 2021-22
antecipa-se uma recuperação do emprego, que não será no entanto
suficiente para retomar o nível de 2019", segundo o BdP, que faz os
cálculos "num cenário em que a população ativa deverá permanecer
relativamente inalterada em média no horizonte de projeção", antecipando
uma taxa de desemprego de 7,5% em 2022.Segundo
o documento, a evolução do desemprego "depende criticamente do impacto
das medidas de apoio às empresas e famílias e da sua duração, que são
determinantes na mitigação da destruição de capacidade instalada na
economia associada à pandemia"."O
prolongamento destas medidas deverá facilitar a manutenção da atividade e
do emprego em empresas consideradas viáveis, mas em alguns casos poderá
conduzir a um adiamento do processo de saída do mercado por parte de
empresas sem capacidade competitiva, condicionando assim uma dinâmica
endógena ao funcionamento da atividade económica", explicam o documento,
elaborado pelo Departamento de Estudos Económicos do BdP.A
instituição refere também que "as medidas de apoio existentes
são necessariamente temporárias e a margem de ajustamento que concedem
às empresas não altera o enquadramento institucional que rege o
funcionamento do mercado de trabalho português".A
taxa de desemprego prevista pelo Fundo Monetário Internacional (FMI)
para Portugal, em 2020, é de 13,9%, a da Comissão Europeia é de 9,7%, a
do Conselho das Finanças Públicas é de 11%, a do Governo é de 9,6% e a
da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) é de
11,6%.