Banco de Portugal antecipa que idade da reforma aumente 3 anos até 2070
12 de jun. de 2019, 16:57
— Lusa/AO Online
“Admitindo
a manutenção das regras em vigor, e recorrendo às projeções
demográficas do Eurostat (EUROPOP2015), nomeadamente para a evolução dos
ganhos de esperança média de vida aos 65 anos para Portugal, é possível
projetar a tendência para a evolução futura da idade de passagem à
reforma”, indica o Banco de Portugal (BdP) no Boletim Económico de
junho, hoje divulgado. A instituição
liderada por Carlos Costa antecipa que, “com base nestas hipóteses, os
cerca de cinco anos de ganhos médios de longevidade projetados entre
2018 e 2070 traduzem-se num aumento da idade normal de reforma de três
anos nesse horizonte”.No tema em destaque
do Boletim Económico de junho, intitulado “As alterações demográficas e a
oferta de trabalho em Portugal”, o banco central recorda que para 2019 e
2020 a idade normal de acesso à pensão de velhice está definida em 66
anos e cinco meses.No boletim hoje
divulgado, o BdP salienta que “a estabilização e transparência do
enquadramento legal dos sistemas de pensões será crucial para os
indivíduos tomarem as suas decisões de consumo e poupança de forma
informada, com vista a assegurarem um rendimento adequado após a
passagem à reforma”.A instituição indica
que, “conjugando as tendências demográficas com as projeções da Comissão
Europeia para as taxas de atividade, prevê-se no longo prazo uma
diminuição da população ativa (dos 15 aos 64 anos) muito acentuada em
Portugal, não obstante a trajetória de aumento da taxa de atividade
acima da média da União Europeia nas próximas duas décadas”. Para
o banco central, o aumento previsto para a taxa de atividade em
Portugal resulta, sobretudo, da convergência da taxa de atividade das
mulheres para a dos homens durante aquele horizonte temporal, sendo que,
no caso dos homens, as previsões apontam para uma relativa
estabilização. O BdP indica ainda que a
convergência está projetada para os vários escalões etários, mas de
forma mais acentuada no escalão acima dos 55 anos. O
banco central salienta que a redução e envelhecimento da população
residente limitam o potencial de crescimento da oferta de trabalho e
acrescenta que, “no curto prazo, as limitações na oferta de trabalho e a
dinâmica da procura são suscetíveis de aumentar a pressão sobre os
salários”.O BdP recorda também que os dois
últimos anos testemunharam uma aceleração dos salários em Portugal, com
as remunerações por trabalhador no conjunto da economia a crescerem
1,6% em 2017 e 2,2% em 2018.Mas, a
instituição liderada por Carlos Costa adianta que a tendência de
envelhecimento e o aumento do nível médio das qualificações são duas
características da população ativa que operam em sentidos inversos para
explicar evoluções futuras do produto em Portugal.