Banco Alimentar recolheu quase 30 toneladas de alimentos
4 de jun. de 2025, 09:11
— Carolina Moreira
A presidente da direção do Banco Alimentar Contra a Fome - São Miguel,
Luísa César, revelou ontem que a campanha de primavera, que decorreu
este fim de semana, foi a “melhor que tivemos nestes 29 anos de
atividade” ao conseguir recolher quase 30 toneladas de alimentos em toda
a ilha.“Deixa-nos muito, muito satisfeitos porque, em relação à
campanha de maio do ano passado, já estamos com quase mais nove
toneladas. No ano passado, a esta hora, tínhamos 20 [toneladas]. Agora
já temos 28.673 [alimentos] e ainda temos um carro por fora, para a
Povoação e Nordeste, onde se calhar temos mais uma ou duas toneladas”,
revelou em entrevista ao Açoriano Oriental.A responsável compara os
números alcançados com a campanha realizada no Natal passado, em que
“passámos as 30 toneladas”, mas ressalva que “essa é uma altura em que
as pessoas estão com o espírito fraterno mais acentuado”.Segundo
Luísa César, as doações voltaram a “respeitar a lista de 15 alimentos
básicos” divulgada pelo Banco Alimentar, dando especial destaque à
recolha de leite.“Tivemos uma excelente recolha de leite, porque
precisamos de 12 mil litros de leite por mês para os cabazes que
distribuímos. Mas as pessoas também doaram os enlatados, o arroz, as
massas, os cereais de pequeno-almoço, o Nestum... Às vezes, aparecem uns
mimos que nos enternecem de alguma maneira, como chocolate ou pão , o
que também tem a sua simbologia”, assinalou.A responsável pelo Banco
Alimentar em São Miguel revelou ainda que o número de famílias apoiadas
na ilha aumentou entre a última campanha de Natal e esta campanha de
primavera, de “cerca de 500 para uma média de 630 mensais”, sendo
necessários cerca de 18 toneladas de alimentos por mês.Tratam-se de
famílias sinalizadas pelo Instituto de Segurança Social dos Açores
(ISSA), assistentes sociais, centros sociais e paróquias, nas quais os
pais trabalham, mas os rendimentos são baixos.“Nas sinalizações que
nos fazem, a indicação é de que são famílias com filhos que trabalham,
mas com baixo rendimento, com salários mínimos. E precisam deste apoio
alimentar”, frisou Luísa César. Em entrevista ao jornal, a
responsável pelo Banco Alimentar salienta que as duas campanhas anuais
realizadas conseguem suprir apenas “20 a 25% das nossas necessidades
anuais”, recorrendo depois a instituição ao mecenato de empresas e a um
protocolo de cooperação com o ISSA quando há rutura de stock e também a
uma parte percentual definida das doações nacionais.Quanto à
“generosidade” da população micaelense que aconteceu este fim de semana,
Luísa César destaca que pode ter “várias explicações”, entre elas o
facto de estarmos no “período das festas do Espírito Santo, com este
espírito tão açoriano de partilha e de ajudar os mais pobres”.Além
disso, a responsável pelo Banco Alimentar salienta que “as pessoas
sentem que a vida está cara e pensam nos outros que têm menos condições e
mais dificuldades”.Em declarações ao jornal, Luísa César não
esquece também a “grande força desta campanha” - os voluntários - que
chegaram aos “850 a 900” e dá crédito ao trabalho de distribuição de
alimentos do Banco Alimentar há quase 30 anos.No total nacional, a
campanha do Banco Alimentar Contra a Fome recolheu este fim de semana
1.878 toneladas de alimentos em mais de 2.000 superfícies comerciais do
país.O Banco Alimentar revelou que esta recolha representou um
acréscimo de 6,4% em relação à campanha homóloga de 2024, que angariou
1.755 toneladas.“A adesão à campanha do Banco Alimentar voltou a ser
incrível. É muito gratificante poder contar com a participação de
tantas pessoas que vão às compras e partilham alimentos com quem mais
precisa, respondendo ao apelo do Banco Alimentar e não ficando
indiferentes”, afirmou a presidente da Federação Portuguesa dos Bancos
Alimentares contra a Fome, Isabel Jonet, citada em comunicado.Segundo
o Banco Alimentar, os alimentos recolhidos serão distribuídos a partir
da próxima semana por 2.300 Instituições de Solidariedade Social, que os
vão entregar “a cerca de 360 mil pessoas com carências alimentares
comprovadas, sob a forma de cabazes ou de refeições confecionadas
servidas em lares, apoio ao domicilio, creches, refeições a pessoas sem
abrigo, entre outras”.