Bancada de estádio com "receção memorável" a 200 alunos de medicina do Porto
7 de out. de 2020, 15:03
— Lusa/AO Online
De máscara, e
mantendo a distância uns dos outros, os 248 caloiros de medicina da
Universidade do Porto prepararam-se para entrar no estádio ao
ritmo de pandeiretas, violas e cânticos da tuna feminina.Com
um momento de fado e espaço para fotografias ao grupo de novatos, a
receção tornou-se num “acontecimento memorável”, classificou Altamiro da
Costa Pereira, diretor da faculdade, destacando, em declarações à Lusa,
o “momento de proximidade”.Inicialmente, a
receção aos novos estudantes estava preparada para ser feita à
distância, mas rapidamente a direção da faculdade se apercebeu que
“seria melhor” fazê-la de forma presencial e “segura”, explicou à Lusa
Altamiro da Costa Pereira, diretor da FMUP.A decisão agradou particularmente aos alunos. Ana
Luísa e Sara Barbosa, ambas de nacionalidade brasileira, há muito que
faziam “figas” para que o encontro acontecesse, tal era a ansiedade para
“conhecer os colegas”.“Era importante
conhecermos quem nos vai acompanhar ao longo deste percurso”,
salientaram as jovens de 18 e 19 anos, que vão ficar pelo Porto pelo
menos nos próximos seis anos.Rafael Torres, de 20 anos, também de nacionalidade brasileira, começou este ano a estudar na cidade do Porto. O
jovem quis impedir que a pandemia da covid-19 lhe “condicionasse os
planos” e conseguiu cumprir o seu grande objetivo: entrar na FMUP.Ainda
que estejam suspensas as atividades de interação entre estudantes, como
é o caso da praxe, o aluno acredita que “nada vai atrapalhar os
estudantes de se relacionarem”, nem que seja necessário recorrer a
plataformas tecnológicas.Se, no exterior
do estádio, os estudantes passaram com distinção no cumprimento do
distanciamento social, no interior não foi diferente. Sentados na bancada que já não recebia público desde 29 de fevereiro, mantiveram uma distância de dois metros entre si.“Só
os fortes resistem” e “Só os fracos desistem” foram algumas mensagens
que se liam em faixas colocadas nas bancadas do estádio onde os caloiros
se abrigavam do sol com guarda-chuvas amarelos (cor do curso de
Medicina).Já no relvado, a diretora do
mestrado integrado em Medicina, Dulce Madeira, lançava um repto aos
estudantes, a partir de um texto do autor e cantor Sérgio Godinho: “De
uma escolha se faz o desafio”.Mesmo que a
covid-19 tenha vindo desafiar as estruturas clínicas e os seus
profissionais, não derrubou os sonhos de Marta Ribeiro, de 18 anos, e
Francisca Soares, de 17.“Não hesitei um
segundo na hora de escolher o curso”, salientou Marta, deixando-se
interromper pela colega Francisca, de acordo com quem a pandemia lhes
deu “mais vontade ainda de ser médicas”.Entretanto,
no relvado, prosseguiam os incentivos: “Vão ser estudantes de medicina
dentro e fora de campo. Somos todos uma equipa e o intuito é marcarmos
golo”, referia o presidente da Associação de Estudantes, Nuno Ferreira.“Sejam
agentes de saúde pública”, apelava a professora Isaura Tavares,
enquanto o Dux Medicus Facultis, João Freitas, deixava uma mensagem de
esperança àqueles que ambicionam um dia vestir o traje da academia.Considerando
que o ser humano está “sistematicamente em processo de mudança”,
Altamiro da Costa Pereira lembrou aos novos estudantes a
“responsabilidade que têm em fazer parte de uma casa com a tradição da
FMUP”.“Sejam bem-vindos ao primeiro ano do
resto das vossas vidas”, salientou, no relvado, enquanto os estudantes
fechavam os guarda-chuvas, preparando-se para abandonar o recinto.