Baixa natalidade e dificuldades de fixar jovens em Santa Cruz das Flores

Censos2021

28 de jul. de 2021, 16:53 — Lusa/AO Online

O concelho de Santa Cruz das Flores registou uma perda de 11,7% da população nos últimos 10 anos, de acordo com os resultados preliminares dos Censos de 2021 divulgados hoje.“Há falta de oportunidades profissionais para os jovens que vão estudar para o exterior, daí que estes estudantes depois não regressam à ilha”, vincou o autarca de Santa Cruz das Flores, José Carlos Mendes, em declarações à agência Lusa, referindo que este “não é um problema só do concelho de Santa Cruz, mas de muitos sítios”. “Temos a perfeita consciência do envelhecimento da população e da perda de população. E temos também alguns dados que nos dão essas indicações”, afirmou.O presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz das Flores indiciou que, no concelho de Santa Cruz, “em média nascem anualmente 12 bebés e os óbitos estão na casa dos 28/29”.Mas o concelho regista também “uma movimentação” de residentes, principalmente de “estudantes”, assinalou.Segundo José Carlos Mendes, “praticamente todas as famílias” do concelho “fazem um investimento e um esforço financeiro para que os filhos possam estudar no exterior, mas a grande maioria não regressa" à ilha, porque "não existem oportunidades profissionais adequadas para a fixação destes jovens”.José Carlos Mendes salientou que a autarquia, “dentro das suas capacidades e competências, tenta combater esse fenómeno” de decréscimo populacional, tendo estipulado "apoios diversos à natalidade" e "ateliers de tempos livres gratuitos"."Durante os primeiros três anos de vida, a Câmara dá um apoio de 75 euros mensais a cada bebé que nasce", explicou o autarca.O presidente de Câmara detalhou que existem ainda outras medidas "para tentar tornar o concelho mais atrativo" e fixar famílias jovens, nomeadamente apoios à habitação, atribuição de bolsas de estudo, "taxas mínimas" de Imposto Municipal sobre Imóveis" e "recolha de resíduos sólidos e urbanos gratuita".“Mas, efetivamente, não é fácil inverter essa situação”, admitiu. Os Açores registaram uma quebra de população residente de 4,1% desde 2011, segundo os dados preliminares dos Censos 2021 revelados hoje, com o concelho da Madalena, na ilha do Pico, a ser o único a registar crescimento (4,7%).O arquipélago tinha 246.772 habitantes em 2011 e perdeu 10.115 no espaço de 10 anos, o equivalente a 4,1%, tendo agora 236.657 residentes.A região foi a quarta no país a perder mais população, a seguir ao Alentejo (6,9%), Madeira (6,2%) e Centro (4,3%).