Azores Burning Summer preparado para todos os cenários

Meia de Rock

10 de mar. de 2021, 12:01 — João Cordeiro

A edição de 2021 do Azores Burning Summer está a ser preparada nos moldes habituais ou será mais uma edição em "formato reduzido e altamente restrito" como a de 2020?A edição de 2021 foi preparada nos moldes habituais, ou seja, tal como aconteceu em 2019, mantendo os artistas que estavam previstos para 2020 e cujos concertos tivemos de adiar devido à covid-19. É claro que estamos a acompanhar a evolução da pandemia e por esse motivo preparamos duas versões alternativas, uma semelhante à que realizamos em 2020 na Praia dos Moinhos e outra que engloba uma série de micro eventos a decorrer na paisagem da costa Norte de São Miguel, mais concretamente entre o Porto Formoso e os Fenais da Ajuda. O Azores Burning Summer será adaptado, de forma a garantir a máxima segurança e cumprir todas as orientações da Autoridade de Saúde Regional. Estes micro eventos são apenas um plano B, ou caso o festival decorra em modo “normal” mantêm-se no programa? Em 2020 introduzimos o “cinema na praia”, com uma programação dedicada às questões ambientais e sociais.  Independentemente da pandemia, esta programação já estava prevista para 2020 e a ideia era começar na praia e estender a programação a outras freguesias do concelho nos dias que antecedem o festival. Em 2021, pensamos que esta programação poderá não limitar-se ao cinema e constituir um bom plano B. Fala-se, a nível nacional, da hipótese de se realizarem testes rápidos à entrada e da obrigatoriedade de utilização de máscaras. São hipóteses em cima da mesa neste momento? Com exceção dos testes rápidos, não há nada que não tenhamos aplicado, falo da limitação de lugares, distanciamento social e utilização de máscaras. O Azores Burning Summer foi, provavelmente, o único festival que se realizou nos Açores em 2020 e fomos além das recomendações da autoridade de saúde. Correu às “mil maravilhas”. Nos moldes habituais, o nosso recinto tem capacidade para receber 3.000 pessoas, essa é uma lotação já por si reduzida tendo em conta a área do terreno e o que a lei permite, mas que também está em sintonia com o conforto que pretendemos dar ao nosso público. Estamos prontos para qualquer desafio, por exemplo, limitar a lotação a 1.500 ou 2.000 pessoas e aplicar os testes rápidos à entrada. É claro que estas opções dependerão sempre do financiamento disponível. O financiamento - público e privado - está a corresponder às expectativas? Ou a pandemia também veio aumentar as dificuldades nesta matéria? Enquanto que em 2020 fomos obrigados a reduzir a dimensão e o custo do evento, em 2021, apesar de já termos tudo planeado (equipa, meios, artistas e logística de viagens), temos dúvidas relativamente à disponibilidade financeira que teremos. É muito difícil fechar compromissos e orçamentar neste clima de incertezas. Não somos um festival de massas, conhecemos o nosso público, temos uma excelente equipa técnica, de produção e comunicação, estamos bem organizados e isso dá-nos segurança, mas estamos francamente dependentes das receitas geradas no evento e dos apoios públicos e privados. Já estabelecemos alguns contactos e estamos a sensibilizar as entidades públicas e privadas para as dificuldades que o sector cultural atravessa. Isto não pode continuar como está, os artistas e profissionais do espetáculo estão parados desde Março de 2020. Não estamos com ilusões nem aceitamos derrotas, vemos a cultura como um bem de primeira necessidade e sabemos que podemos fazer as coisas bem feitas, o nosso público é exemplar, é educado, diverte-se, sabe fazer festa e isso orgulha-nos de uma forma indescritível, sei que criamos momentos incríveis no Porto Formoso e elevamos a qualidade da oferta cultural e de animação turística nos Açores. O que é que já se pode saber sobre o cartaz e as atividades que estão preparadas para a edição deste ano? Em primeiro lugar será um lindo cartaz, assinado pela nossa designer Elis. Sobre os artistas, devo dizer que enquanto não houver a confirmação de que os poderemos trazer e pagar, não iremos anunciar, mas garantidamente estamos a manter os artistas que estavam programados para 2020, é um compromisso que temos de honrar, são artistas incríveis que queremos muito trazer ao nosso público no Porto Formoso. O Azores Burning Summer leva muito a sério a curadoria musical, temos uma programação bem definida, com 3 palcos, sendo a programação na Praia dos Moinhos totalmente gratuita. Contamos sempre com os nossos DJ’s residentes e anfitriões do Festival: Adrian Sherwood, Isilda Sanches, Pedro Tenreiro e Pedro Mesquita, temos também a sorte e o prazer de contar com a colaboração assídua de diversos artistas dos Açores, aqueles cujo trabalho artístico enquadra-se na linha do Festival. Há novidades na vertente ambiental do festival? Queremos consolidar a nossa programação ambiental da qual fazem parte o projeto de “Land Art”, os debates “Eco Talks”, a feira “Eco Market” dedicada ao ecodesign, a exposição de veículos elétricos e o “Cinema na Praia” que pretende suscitar a reflexão sobre o modo como vivemos. O Eco Festival Azores Burning Summer é um laboratório de práticas sustentáveis, planeamos e monitorizamos todas as ações, submetemos o nosso público às melhores práticas, estamos empenhados em alcançar os mais elevados padrões de sustentabilidade. Desde a primeira edição, em 2015, conseguimos atingir os objetivos "Desperdício Zero” e “Zero Ruído Visual” e temos outros objectivos a anunciar nas próximas edições. A qualidade da programação, a ecologia, o conforto, segurança e formação do público são a matriz do Eco Festival Azores Burning Summer! Não podemos parar!