Azores Airlines vai ser privatizada “desalavancada” de passivo
Hoje 15:09
— Lusa/AO Online
“O passivo que
foi construído ao longo destes muitos anos do grupo SATA ficará na SATA
Holding. O que vamos vender no caso da Azores Airlines e no caso do
‘handling’ são empresas já desalavancadas desse passivo”, afirmou o
secretário das Finanças, Planeamento e Administração Pública.Duarte
Freitas falava aos jornalistas à margem dos trabalhos parlamentares, na
Horta, após o Governo Regional ter comunicado que
aprovou o caderno de encargos para a privatização da Azores Airlines e o
início do procedimento de venda da totalidade do capital social da SATA
Handling (serviços de apoio em terra).O
secretário regional confirmou que o passivo do grupo SATA vai ficar na
‘holding’ (empresa-mãe criada para gerir outras empresas), conforme o
processo de reestruturação negociado com a Comissão Europeia.“Não
é o Governo [Regional] que assume. São os açorianos que vão assumi-lo.
Ao longo dos anos foi constituído este passivo. Aquilo que a Comissão
Europeia nos disse foi: ‘agora têm uma oportunidade para terminar com a
acumulação de passivo’, (…) mas aquilo que é o passivo que vem de trás,
naturalmente, vai ter de ser assumido pela SATA Holding”, detalhou.Questionado
sobre o valor do passivo, Duarte Freitas adiantou que na próxima semana
deverão ser aprovadas as “contas consolidadas” do grupo.Se
as outras empresas da SATA “no futuro geraram rendimento para pagar o
passivo, ótimo, senão, terá de ser assumido pela região”, acrescentou.Recorde-se que na quinta-feira, a agência Lusa revelou que a proposta de caderno de
encargos de privatização da SATA Internacional/Azores Airlines propõe a
venda de pelo menos 75% da companhia e impede a extinção de postos de
trabalho e despedimentos coletivos durante 30 meses.O secretário regional realçou a “celeridade” com que o Governo Regional
aprovou o caderno de encargos proposto pelo Conselho de Administração
(CA) da SATA e destacou as alterações face ao anterior procedimento que
foi encerrado sem a privatização da companhia aérea.“Foram
afinados, não só o perímetro daquilo que vai ser alienado, como também o
valor e a percentagem do que vai ser alienado. Como sabem, da última
vez, era entre 51% a 85%. Desta vez, a proposta que o CA nos fez, fruto
dessa aprendizagem e de contactos que já foram feitos com potenciais
interessados, define que será a venda de mais de 75% da Azores
Airlines”, reforçou.Em relação às próximas
fases do processo de privatização da Azores Airlines, Duarte Freitas
adiantou que a SATA vai “continuar com contactos com potenciais
interessados” até chegar uma “proposta firme”.Paralelamente,
salientou, vão “desenvolver-se os trabalhos para a concretização do
caderno de encargos” da venda da SATA Handling cuja privatização vai ser
de 100% do capital social.O caderno de
encargos proposto pelo conselho de administração da SATA ao Governo dos
Açores, a que agência Lusa teve acesso, estabelece um modelo de
“negociação particular” para a privatização da companhia aérea, que vai
ter de ser concluída até final do ano, segundo o plano de reestruturação
aprovado pela Comissão Europeia.A venda
de pelo menos 75% da empresa representa uma diferença face ao anterior
concurso, que previa uma alienação mínima de 51% e máxima de 85%, um
procedimento encerrado a 6 de março sem privatização, após o júri e a
administração da SATA terem considerado que a proposta do Atlantic
Connect Group, a única admitida, apresentava “riscos inaceitáveis”.