Azores Airlines responsável por 90% dos prejuízos da SATA entre 2013 e 2019
26 de abr. de 2023, 11:22
— Lusa/AO Online
No documento, divulgado esta quarta-feira, o TdC
“identifica que a principal causa para o significativo agravamento do
desequilíbrio económico e financeiro do grupo SATA foi o desempenho
negativo da subsidiária SATA Internacional – Azores Airlines, S.A.
[responsável pelas ligações de e para fora do arquipélago dos Açores],
responsável por cerca de 90% dos prejuízos acumulados no período em
referência”.Entre 2013 e 2019, o grupo
SATA “acumulou prejuízos na ordem dos 260 milhões de euros, dos quais
233,4 milhões de euros (90%) foram gerados pela Sata Internacional –
Azores Airlines”, resume a auditoria consultada pela Lusa.A
análise ao grupo público regional, que integra também a companhia de
aviação SATA Air Açores (responsável pelas ligações interilhas) foi
feita na sequência de um pedido da Assembleia Legislativa da Região
Autónoma dos Açores e indica que, entre 2013 e 2019, o passivo “passou
de 199 para 465 milhões de euros e o capital próprio foi sujeito a uma
acentuada erosão, atingindo o valor negativo de 230 milhões de euros no
final de 2019”. “Durante todo aquele
período, a empresa confrontou-se com uma situação de falência técnica,
com o capital próprio negativo a ascender a menos 203,3 milhões de euros
no final de 2019”, descreve a auditoria.O
TdC considera que, para os resultados da Azores Airlines, contribuíram
“as opções de gestão relacionadas com o processo de renovação da frota
de longo curso e a sua posterior reversão, bem como a exploração de
rotas sujeitas a obrigações de serviço público sem a correspondente
compensação financeira”.“As evidências
recolhidas pelo Tribunal apontam no sentido de que a opção de substituir
quatro aeronaves Airbus A310-300 por duas Airbus A330-200 – das quais
apenas uma chegaria a integrar a frota da companhia – foi uma decisão
estratégica não sustentada tecnicamente. Como consequência,
registaram-se perdas na ordem dos 42 milhões de euros, dos quais cerca
de 22 milhões de euros entre 2016 e 2019”, descreve a auditoria. O
TdC considera ainda que a decisão “causou sérios constrangimentos à
operação, afetando a respetiva posição competitiva precisamente no
momento em que, por via da liberalização parcial do espaço aéreo dos
Açores, a empresa passou a confrontar-se com a concorrência de outras
companhias aéreas na disputa por algumas das rotas que historicamente
geravam mais valor”.“Por outro lado, a
decisão do Governo Regional dos Açores de impor a exploração de rotas
sujeitas a obrigações de serviço público sem a correspondente
compensação financeira também contribuiu para a degradação da situação
económica e financeira da empresa, traduzindo-se na acumulação de
prejuízos, entre 2015 e 2019, de cerca de 41 milhões de euros”, descreve
o TdC.Quanto à SATA Air Açores, a
auditoria diz que “a persistência de atrasos no pagamento das
indemnizações compensatórias devidas pela Região Autónoma dos Açores
enquanto concedente no contrato de concessão de serviços aéreos
interilhas – que no final de 2019 totalizavam 51,7 milhões de euros –
contribuiu para agravar o forte desequilíbrio financeiro que a empresa
já evidenciava em 2013 e que se acentuou nos anos seguintes”.O
TdC alerta ainda “para o elevado grau de informalidade que continuou a
caracterizar o funcionamento dos órgãos sociais das empresas do Grupo
SATA, o que consubstancia o incumprimento de disposições legais e
estatutárias, não sendo admissível num contexto de gestão de dinheiros
públicos”.