AvistaVulcão lembra antiga aldeia baleeira para celebrar Vulcão dos Capelinhos no Faial
26 de set. de 2025, 17:13
— Lusa/AO Online
“O
Vulcão dos Capelinhos é monumental, é magnético, é o vulcão sobre o
qual mais registos e memórias vivas existem e é aquele que mais
transformou o destino dos açorianos”, explicou à agência Lusa, Gonçalo
Tocha, da organização, para justificar as celebrações, que acontecem
pelo quinto ano consecutivo.O cineasta
Gonçalo Tocha e a produtora Sophie Barbara criaram a AvistaVulcão: Casa
da Missão no espaço que acolheu a missão científica dos Capelinhos em
1957 e 1958 e que juntou vários cientistas que se deslocaram ao Faial
para estudar o vulcão.A AvistaVulcão tem
assinalado anualmente a erupção a partir de diferentes perspetivas, como
a história da geógrafa Raquel Soeiro do Brito ou a vaga de emigração
para a América.“A AvistaVulcão, enquanto
projeto com sede na antiga casa da missão que estudou o Vulcão dos
Capelinhos, em contacto com a população local e inspirado pelo trabalho
da professora Raquel Soeiro de Brito, toma esta celebração como uma
missão cultural que nunca deve ser abandonada”, realçou Tocha.Este
ano, o programa inclui um roteiro cultural e a realização do trilho dos
baleeiros com “diversas atividades culturais e artísticas”, como
instalações, concertos, projeção de filmes e exposições, acompanhadas
pela música da Fanfarra Artista Faialense.Os vários momentos das atividades vão evocar a aldeia baleeira do Porto Comprido que desapareceu devido ao vulcão.“É
uma história única nos Açores de transumância insular. Ou seja, a
existência de um lugar temporário onde baleeiros de todas as ilhas se
juntavam durante seis meses, entre abril e setembro, para caçar
baleias”, explicou Gonçalo Tocha.O
cineasta, autor de "Balaou" (2007), "É na Terra não É na Lua" (2011) e
"A Mãe e o Mar" (2013), recorda que a aldeia criou uma comunidade que
“terminou abruptamente” com o vulcão após cerca de 100 anos.“Foram
os baleeiros os primeiros a ver o vulcão a borbulhar no mar. É como se
da baleia nascesse um vulcão. As cinzas enterraram a vida dessa aldeia
para sempre”, disse.Para Gonçalo Tocha,
importa recordar as memórias da aldeia baleeira do Porto Comprido, que
estava localizada no extremo oeste do Faial, tendo sido um ponto
importante para a caça à baleia nos Açores.“Esta
história ainda está presente nalguns descendentes de baleeiros,
crianças nessa altura que cresceram na aldeia e que olhando agora para
trás tudo parece um mundo imaginário, mas extremamente vivo”, descreve.A
programação inclui a residência artística do coletivo belga TimeCircus,
um concerto com músicos do Conservatório Regional da Horta na estreia
mundial da peça “Whale Suíte”, uma obra composta por Florence
Henry e Saar Van de Lest, e a projeção do filme “Os Homens da Baleia”
(1956), de Mário Ruspoli, sobre aquela aldeia baleeira antes da erupção.As
celebrações, que arrancam às 15h00, são organizadas pela AvistaVulcão
em parceria com Governo dos Açores, o Geoparque Açores, a junta de
freguesia do Capelo e a Associação Amigos do Farol dos Capelinhos.