"Avaliação de risco-benefício é favorável à vacinação" de crianças dos 5 aos 11 anos
Covid-19
10 de dez. de 2021, 13:07
— Lusa/AO Online
“[…]
Conclui-se que a avaliação de risco-benefício é favorável à vacinação
universal de crianças nesta faixa etária, sendo prioritária nas crianças
com comorbilidades consideradas de risco para a Covid-19 grave”, lê-se
em comunicado. De
acordo com a DGS, a posição técnica “dava conta de que estava em
avaliação o melhor intervalo entre doses para estas faixas etárias e que
essa decisão técnica seria tomada na reunião regular da CTVC [Comissão
Técnica de Vacinação contra a Covid-19] de dia 09 de dezembro”.A
DGS adianta que, uma vez na posse do documento de 05 de dezembro, irá
atualizar as normas sobre a vacinação contra a Covid-19, segundo o
procedimento habitual. A
divulgação da decisão técnica surge “com vista à necessária
tranquilidade social”, lembra a DGS, adiantando que a da reunião de hoje
“será divulgada após a sua conclusão”.No
documento, a Direção-Geral da Saúde explica que a Agência Europeia de
Medicamentos “deu parecer positivo à formulação pediátrica da vacina
contra a covid-19 […] para as crianças com cinco a 11 anos de idade, com
base num ensaio clínico com mais de 2.000 crianças, tendo concluído,
após avaliação da eficácia (90,7%) e segurança (perfil de segurança
semelhante ao observado na população com mais de 12 anos), que os
benefícios superaram os riscos nestas faixas etárias”.Citando
o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças, as autoridades
saúde dizem que cerca de 78% das crianças hospitalizadas não apresentam
comorbilidades, alertando que o risco de hospitalização é superior
(12-19 vezes) em crianças com comorbilidades. Segundo
a DGS, as crianças com cinco a 11 anos constituem cerca de 40% do total
de casos diagnosticados em pessoas com menos de 18 anos. “A Covid-19 é ligeira na grande maioria das crianças, com um risco médio
de hospitalização de 0,2% em crianças com 5 a 11 anos de idade, durante o
ano de 2021, em Portugal”, sustenta. Lembrando
que ainda não são conhecidos potenciais riscos associados a reações
adversas mais raras, para estas faixas etárias, como, por exemplo, a
ocorrência de mio/pericardites registadas para adultos jovens vacinados
com vacinas de mRNA, a DGS refere que as autoridades de saúde dos
Estados Unidos, Canadá e Israel recomendam a vacinação contra o novo
coronavírus SARS-CoV-2 de crianças de cinco a 11 anos.De
acordo com parecer técnico de um grupo de especialistas em Pediatria e
Saúde Infantil “deve ser dada prioridade à vacinação dos adultos e dos
grupos de risco, incluindo as crianças dos cinco aos 11 anos”.E
adiantam: “Poderá ser prudente aguardar por mais evidência científica
antes de ser tomada uma decisão final de vacinação universal deste grupo
etário. No entanto, consideramos que este grupo de trabalho é
constituído por elementos com experiência para avaliar os benefícios e
os riscos da vacinação para a saúde da criança e considerações
detalhadas sobre impactos educacionais, sociais e económicos mais amplos
deverão ser procuradas junto de outros peritos”.A
Comissão Técnica de Vacinação contra a Covid-19, que realizou a
avaliação de risco-benefício para a situação epidemiológica em Portugal,
com base nas variantes Alfa e Delta, considerou ser favorável à
vacinação nas crianças. “Em
quatro meses (dezembro de 2021 a março de 2022), uma cobertura vacinal
de 85% das crianças com 5 a 11 anos, assumindo uma efetividade contra
hospitalização de 95%, e assumindo um cenário de incidência mediana
idêntico ao registado no período homologo (entre dezembro de 2020 e
março de 2021), estima-se que evitaria 51 (9 a 147) hospitalizações e 5
(1 a 16) internamentos em UCI. Neste período, assumindo uma taxa de
ocorrência de mio/pericardites pós-vacinação com Comirnaty semelhante à
registada para os 12-15 anos (1,3/100.000 doses), esperam-se sete
mio/pericardites associadas à vacinação”, anotam. No
entanto, a DGS alerta que a pandemia prejudicou as crianças, a sua
educação, desenvolvimento cognitivo e emocional, saúde mental, bem-estar
e vida social, especialmente as mais desfavorecidas e com perturbações
mentais e do desenvolvimento.“Com
base na informação disponível, a variante Ómicron pode originar uma
incidência mais elevada nas crianças com cinco a 11 anos do que aquela
que foi assumida na análise risco-benefício. Não é ainda conhecida a
história natural da infeção com esta variante, nomeadamente o risco de
hospitalização, contudo a vacinação contra a covid-19 tem demonstrado
elevada efetividade contra a doença grave, mesmo perante a emergência de
novas variantes que foram associadas a uma menor efetividade vacinal
contra infeção”, acrescenta.