Aval de 5ME do Governo dos Açores a empresa foi uma “violação flagrante”
3 de mai. de 2023, 18:29
— Lusa/AO Online
Segundo
o relatório, a que a agência Lusa teve acesso, o processo que levou à
atribuição de um aval a “favor da Angra-sol foi marcado por um conjunto
desregrado de procedimentos”.“A concessão
do aval em favor da Angrasol constituiu uma violação flagrante do regime
de concessão de avales da Região Autónoma dos Açores”, lê-se no
documento.O relatório lembra que aquele
regime “obriga a que as empresas beneficiárias tenham sede” nos Açores e
que a concessão de avales num “montante superior a cerca de meio milhão
de euros seja previamente autorizada pelo Conselho do Governo
Regional”.“Nenhuma destas duas condições
foi cumprida na concessão do aval à Angrasol. A empresa tinha sede no
Funchal, na Madeira, e o aval foi autorizado por um despacho do
secretário regional da Economia, Vasco Cordeiro, e do vice-presidente do
X Governo Regional, Sérgio Ávila”, assinala o documento.O
relatório da Comissão de Inquérito à Concessão de Avales a Empresas
Privadas da Assembleia Regional foi aprovado por maioria, com os
votos a favor de PSD, CDS-PP, PPM e Chega e os votos contra de PS e BE.Antes
da votação, o deputado do PS Berto Messias considerou a proposta de
relatório “altamente sectária, pouco factual e legalmente mal
fundamentada”.“O procedimento de concessão
de aval à Angrasol encontra-se devidamente expresso no parecer jurídico
e no depoimento da sua subscritora, que esteve nesta comissão (…). A
omissão a estas duas fontes principais de esclarecimento é bem
demonstrativa do objeto que norteou essa comissão, que sobrepôs
interesses partidários à verdade”, declarou.Os
socialistas apresentaram 18 propostas de alteração ao relatório, tendo
apenas uma sido aprovada e as restante chumbadas com os votos contra de
PSD, CDS-PP, PPM e Chega e abstenção do BE.O
deputado do PSD/Açores Joaquim Machado criticou a atuação dos
anteriores executivos regionais do PS, alertando que “politicamente
esses atos não prescrevem”.“A concessão do
aval de cinco milhões de euros à [empresa] Angrasol foi um ato
excecional. Mais nenhuma empresa beneficiou desse apoio. Trata-se, por
isso, de um favorecimento. Ao mesmo tempo também foi um prejuízo para
muitas empresas açorianas”, vincou.O
parlamentar do CDS-PP Rui Martins também alertou para a “desigualdade”
entre a Angrasol e as restantes empresas, condenando a atuação da Ilhas
de Valor, que se “substituiu aos empresários na procura de garantias”.José
Pacheco, do Chega, considerou o processo uma “grande trapalhada à boa
moda do governo socialista”, enquanto a deputada Vera Pires, do BE,
defendeu que não existe “evidência da intenção de beneficiar a
Angrasol”.O caso que suscitou a criação de
uma comissão parlamentar de inquérito à concessão de avales remonta a
2010, ano em que o secretário regional da Economia, Vasco Cordeiro (que
foi presidente do Governo Regional entre 2016 e 2020), e o
vice-presidente do Governo, Sérgio Ávila (atual deputado à Assembleia da
República), autorizaram a concessão excecional de um aval de cinco
milhões de euros, através do SIDER (Sistema de Incentivos ao
Desenvolvimento Empresarial dos Açores), mas exigiram uma hipoteca sobre
o hotel.