Autorizar Teerão a controlar o estreito de Ormuz criaria "precedente perigoso"
Irão
Hoje 15:52
— Lusa/AO Online
“Se
criarmos um precedente no Médio Oriente em que um Estado pode decidir
controlar uma via marítima internacional, cobrar uma taxa e afundar
navios se não se pagar, estaremos a abrir caminho a que isso se repita
noutras partes do mundo, incluindo nesta região”, afirmou Rubio numa
reunião com a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) em
Manila.O responsável sublinhou que o Irão
reivindica um direito “sem qualquer base jurídica existente” ao
controlar o tráfego no estreito de Ormuz. “Há
um princípio fundamental de liberdade de navegação que está ameaçado. A
economia mundial está em risco, tal como as regras que regem o comércio
internacional há 150 anos, e não podemos deixar que isso aconteça”,
acrescentou.O exército norte‑americano
lançou esta madrugada o 11.º ataque noturno contra o Irão, numa nova
vaga de bombardeamentos que se soma à escalada de violência no Médio
Oriente e que tem ofuscado os esforços diplomáticos do Paquistão para
salvar o acordo de cessar‑fogo interino, entretanto violado.Teerão
voltou a bloquear o estreito de Ormuz e Washington retomou o bloqueio
de portos iranianos, num confronto que ameaça alargar‑se ao mar Vermelho
e agravar ainda mais a economia global. A
escalada fez subir os preços da energia, com o petróleo Brent a
ultrapassar os 91 dólares (83 euros) por barril e a gasolina nos EUA
atingiu em média quatro dólares (3,6 euros) por galão.O
secretário de Estado garantiu que os EUA permanecem “abertos a
negociações construtivas”, mas lamentou que as autoridades iranianas
“não levem as conversações a sério”. “Se forem sérios, nós também
seremos. Se não forem, faremos o necessário para proteger os nossos
interesses e os dos nossos aliados”, disse.Rubio
participa na reunião ministerial da ASEAN e tem previstos encontros
paralelos com países do Quad (Índia, Japão, Austrália) e, mais tarde,
com o ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi.As
declarações de Rubio surgem num contexto em que a região Ásia‑Pacífico
enfrenta também os agressivos movimentos da China no mar do Sul da
China, outra rota crucial para o comércio mundial.
As Filipinas, que este ano assumem a presidência rotativa da ASEAN,
foram um dos países mais atingidos pela crise energética e em março
decretaram estado de “emergência energética” por um ano, para facilitar
acordos de compra, incluindo pactos com a Rússia.Na
declaração final da reunião ministerial, a ASEAN renovou o apelo “a
todas as partes envolvidas” para que exerçam moderação e evitem
“qualquer ato que possa agravar ainda mais a situação”, reafirmando a
necessidade de manter a segurança marítima e as rotas comerciais
abertas.“Expressamos a nossa profunda
preocupação com qualquer medida discriminatória ou unilateral que possa
impedir ou obstruir a passagem de navios pelo estreito de Ormuz”,
sublinhou o texto aprovado pelos ministros.