Autoridades iranianas desligam Internet para "evitar abusos inimigos"
Israel/Irão
18 de jun. de 2025, 17:21
— Lusa/AO Online
“Considerando o uso indevido
da rede de comunicações do país pelo inimigo agressor para fins
militares e a ameaça à vida e à propriedade do povo oprimido, as
autoridades competentes decidiram impor restrições temporárias ao acesso
dos utilizadores à Internet", justificou o ministério iraniano, segundo
a agência de notícias Mehr.As autoridades
iranianas confirmaram deste modo a informação anteriormente avançada
pela NetBlocks, empresa especializada na monitorização de sistemas de
comunicação eletrónica em zonas de conflito, dando conta de um "apagão
quase total” em todo o país."Os dados da
rede em tempo real mostram que o Irão enfrenta agora um apagão nacional
quase total da Internet", informou na rede X.A NetBlocks referiu que o Irão já estava a sofrer "uma série de interrupções parciais" na sua rede nos últimos dias.De
acordo com a agência Associated Press (AP), as autoridades iranianas
têm vindo a restringir o acesso da população a comunicações com o
exterior. Os serviços telefónicos e de
Internet foram interrompidos, com os telefones fixos impossibilitados de
receber ou fazer chamadas internacionais, descreveu a AP, reproduzindo
procedimentos semelhantes durante os últimos grandes protestos nacionais
no país.Os ‘sites’ internacionais
pareciam bloqueados, mas os locais estavam a funcionar, provavelmente
sinalizando que o Irão tinha ativado a chamada "rede halal", a sua
versão de Internet controlada, com o objetivo de limitar o que o público
pode ver.A televisão estatal instou na
terça-feira os iranianos a remover a aplicação de mensagens WhatsApp dos
seus telemóveis, alegando, sem demonstrar, que recolhia informações dos
utilizadores para enviar para Israel.Em
comunicado, o WhatsApp afirmou estar preocupado com o facto de "estas
notícias falsas servirem de desculpa” para o bloqueio dos sues serviços
“no momento em que as pessoas mais precisam".Israel
lançou um ataque contra o Irão na madrugada de 13 de junho, alegando
ter informações de que Teerão se aproximava do “ponto de não retorno”
para obter uma bomba atómica.Os ataques
israelitas causaram pelo menos 232 mortos, incluindo altos comandos
militares e cientistas que trabalhavam no programa nuclear, segundo
dados oficiais.O Irão, que alega que o seu
programa nuclear tem fins pacíficos, ripostou com o lançamento de
mísseis e drones contra várias cidades israelitas, onde as autoridades
admitiram pelo menos 24 mortos.