Autoridades da Guiné-Conacri esperam conter surto de Ébola no país até final de março
19 de fev. de 2021, 18:33
— Lusa/AO Online
“Fixámos
o dia 31 de março como prazo para assegurar que não se fale mais de
casos de Ébola em Gouécké [cidade da região de N’Zérékoré, sul do país,
onde o surto teve início]”, afirmou o diretor da Agência Nacional de
Segurança Sanitária (ANSS), Sakoba Keita, citado pela comunicação social
local e pela agência noticiosa Efe.Embora
não haja registo de novos casos suspeitos ou confirmados, a ANSS
apresenta um relatório diário sobre a evolução da doença, depois de
várias pessoas que estiveram presentes no funeral de mulher, em 01 de
fevereiro, terem apresentado sintomas de Ébola.O
diretor de comunicação da agência, Jean Traoré, considerou que “a
situação está sob controlo, por enquanto” e que “foram tomadas medidas
apropriadas para conter o surto o mais rapidamente possível”.“Desta
vez temos um sistema de vigilância que detetou rapidamente os primeiros
casos. Estão a ser monitorizados e estamos à espera do fim do período
de incubação da doença [21 dias] para ver como evolui a situação no
geral”, explicou o responsável.Numa
entrevista telefónica à agência noticiosa espanhola, o especialista em
febres hemorrágicas dos Médicos Sem Fronteiras Luis Encinas, alertou que
a presença de casos pode representar “uma situação avançada”.“Não
há que ser alarmista, mas devemos ter em mente que caso não se sigam
todos os protocolos, a situação pode evoluir para uma situação
descontrolada e depois outras ações devem ser postas em prática”, disse.À
mesma fonte, o diretor regional da organização não-governamental (ONG)
Care International, Balla Sidibé, elogiou “a proatividade da
Guiné-Conacri em declarar os casos e assim facilitar uma resposta mais
rápida que no passado”.A Guiné-Conacri
declarou em 14 de fevereiro o primeiro surto de Ébola no país após cinco
anos, que já resultou na morte de cinco pessoas. O
anterior surto, que surgiu em finais de 2013 na Guiné-Conacri, alastrou
posteriormente aos vizinhos Libéria e Serra Leoa, tendo causado mais de
11.300 mortos, 2.500 dos quais na Guiné-Conacri.A
campanha de vacinação contra o vírus do Ébola começa na segunda-feira
na Guiné-Conacri com 11 mil vacinas, anunciaram a Organização Mundial da
Saúde (OMS) e as autoridades de saúde locais na quinta-feira.A
OMS enviou pelo menos 30 peritos de vacinação para aquele país da
África Ocidental e outros 20 para a República Democrática do Congo
(RDCongo), onde a campanha de vacinação foi oficialmente lançada em 15
de fevereiro, na sequência do surgimento do 12.º surto de Ébola no
nordeste do país, em 07 de fevereiro.Na
RDCongo, as autoridades da União Africana contam quatro casos
confirmados, duas mortes e 369 contactos identificados, 326 dos quais
estão a ser monitorizados.O vírus Ébola,
que provoca febres altas, vómitos e diarreias, foi identificado pela
primeira vez em 1976 na RDCongo e deve o seu nome a um rio no norte do
país, perto do qual teve origem o primeiro surto.O
Ébola é transmitido entre humanos através de fluidos corporais como
sangue ou fezes e tem uma taxa de letalidade muito elevada, que varia
entre 50% e 90%, de acordo com a OMS.Uma
primeira vacina do Ébola, fabricada pelo grupo americano Merck Shape e
Dohme, provou ser altamente protetora contra o vírus, num grande ensaio
realizado na Guiné-Conacri em 2015.