Autoridades chinesas pedem desculpa pelo método usado para detetar infetados
Covid-19
19 de jul. de 2022, 11:44
— Lusa/AO Online
Os trabalhadores
comunitários e os funcionários de saúde do distrito de Liwan arrombaram
as fechaduras e entraram em 84 casas no dia 10 de julho, depois de
contactos próximos de pacientes com covid-19 terem sido encontrados
escondidos em casa, alguns dos quais testaram positivo mais tarde, de
acordo com o jornal oficial Global Times.Em
comunicado, as autoridades distritais admitiram que a ação foi “rude” e
“insensível” e prometeram recompensar aos moradores afetados.“A
prática de investigação domiciliar de emergência é muito simples e
grosseira e ignora os sentimentos dos moradores”, disse em comunicado a
sede distrital da comissão de prevenção e controlo de epidemias.Uma equipa de investigação foi montada para punir os envolvidos, acrescentou.As
autoridades chinesas estão a impor medidas cada vez mais extremas, para
salvaguardar a estratégia de ‘zero casos’ de covid-19.A
estratégia inclui o isolamento de todos os casos positivos e contactos
próximos, o bloqueio de bairros ou cidades inteiras e a realização de
testes em massa, quando são detetados surtos.As
medidas reforçaram também os poderes dos comités de bairro, em quem o
Partido Comunista Chinês confia para difundir diretrizes e propaganda a
nível local, e até mesmo para a resolução de disputas pessoais.Vários
casos de agentes da polícia e funcionários dos comités a invadir casas
na China foram documentados nas redes sociais. Em alguns casos, as
portas foram arrombadas e os moradores ameaçados com punição, mesmo
depois de testarem negativo para o vírus. Os comités montam também
frequentemente barreiras de chapa metálica nas entradas dos bairros e
edifícios e bloqueiam as portas de apartamentos com barras de aço, para
evitar que os moradores saiam de casa ou do complexo residencial.Os
líderes comunistas da China exercem um controlo rigoroso sobre o
governo, a polícia e vários instrumentos de controlo social. A maioria
dos cidadãos está acostumada com a falta de privacidade e restrições à
liberdade de expressão e ao direito de reunião.No
entanto, as rigorosas medidas de prevenção epidémica testaram essa
tolerância, principalmente em Xangai, onde um bloqueio implacável e
muitas vezes caótico resultou em protestos nas redes sociais e em
confrontos entre moradores e funcionários, devido à falta de acesso a
alimentos, cuidados de saúde e outros bens básicos.As
autoridades de Pequim adotaram uma abordagem mais suave, preocupadas em
provocar distúrbios na capital antes de uma importante reunião do
Partido Comunista, que se realiza no outono, e na qual o Presidente e
líder do Partido, Xi Jinping, deve receber um terceiro mandato de cinco
anos.A estratégia de tolerância zero à
doença foi apontada como necessária, para evitar um surto mais amplo
entre uma população que tem menos imunidade natural. Embora a taxa de
vacinação da China ronde os 90%, é consideravelmente menor entre os
idosos. Foram também levantadas questões sobre a eficácia das vacinas
produzidas internamente na China.Embora o
grupo chinês Fosun tenha chegado a acordo para distribuir e,
eventualmente, fabricar a vacina de RNA mensageiro desenvolvida pela
Pfizer e BioNTech, esta não foi aprovada para uso na China continental.Estudos
têm demonstrado consistentemente que a inoculação com vacinas de RNA
mensageiro oferece melhor proteção contra hospitalização e morte pela
covid-19.As vacinas chinesas feitas com
tecnologia mais antiga mostraram-se bastante eficazes contra a cepa
original do vírus, mas muito menos contra as novas variantes.