Autoridades admitem situação epidémica “extremamente grave” em Pequim
Covid-19
16 de jun. de 2020, 10:37
— Lusa/AO Online
Pequim está numa "corrida contra o tempo",
disse o porta-voz, Xu Hejian, em conferência de imprensa. A capital
"terá de estar sempre um passo à frente da epidemia e tomar as medidas
mais rigorosas, decisivas e determinadas", afirmou.Pequim
diagnosticou mais de cem casos desde sexta-feira passada, após um surto
ter sido detetado no principal mercado abastecedor da capital.A cidade, de 21 milhões de habitantes, aumentou, entretanto, a sua capacidade de triagem diária para mais de 90.000 pessoas.Este
surto epidémico suscita temores de uma "segunda vaga" de infeções,
admitiu a Organização Mundial da Saúde (OMS), na segunda-feira,
acrescentando que acompanha "muito de perto" a situação em Pequim. A
OMS, que foi acusada de alinhamento com as autoridades chinesas no
início do surto, em dezembro passado, disse estar a considerar enviar
especialistas para Pequim nos próximos dias.Muitos
dos novos casos estão vinculados ao mercado abastecedor de Xinfadi, em
Pequim, e as autoridades estão a testar trabalhadores e clientes que
estiveram no mercado, nas últimas duas semanas, ou quem entrou em
contacto com estes dois grupos. Carnes
frescas e marisco na cidade e em outros lugares da China também estão a
ser inspecionados numa tentativa de entender como é que o vírus se
espalhou.Mais de 100.000 funcionários
estão encarregados de supervisionar 7.120 comunidades próximas do
mercado de Xifandi. Mais de vinte bairros foram colocados sob
quarentena, para impedir a disseminação do patógeno entre os 20 milhões
de habitantes de Pequim.As autoridades
chinesas repuseram hoje algumas restrições nas viagens de e para Pequim,
de forma a evitar que o novo surto de covid-19 se alastre pelo país.As
autoridades também estão a impedir que moradores de áreas consideradas
de alto risco saiam de Pequim e os que já saíram devem reportar às
agências de saúde locais o mais rapidamente possível.Táxis
e outros serviços de transporte foram proibidos de levar as pessoas
para fora da cidade, o número de passageiros em autocarros, comboios e
no metro será também limitado e todos os passageiros devem usar máscara.A
China retirou muitas das suas medidas de prevenção depois de o Partido
Comunista ter declarado, em março passado, vitória sobre o vírus, que
foi detetado pela primeira vez na cidade de Wuhan, no centro da China,
no final do ano passado. Em resposta ao
novo surto, Pequim suspendeu o reinício planeado de algumas escolas
primárias na segunda-feira e repôs algumas medidas de distanciamento
social.