Autoridades abordaram navio com cocaína em alto-mar para garantir apreensão da droga
Hoje 17:23
— Lusa/AO Online
"Tínhamos de
garantir que a droga não se perdia, que não era feito um transbordo em
alto-mar", afirmou o diretor da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico
de Estupefacientes (UNCTE), João Oliveira, numa conferência de imprensa
em Lisboa, com a presença de representantes da Marinha e Força Aérea
portuguesas e da Polícia Nacional espanhola, sobre a operação "Skydrop".O
porta-contentores, "proveniente da América Latina, foi detetado e
abordado a cerca de 640 milhas náuticas de Lisboa, o equivalente a 1.185
quilómetros, em condições extremas de dificuldade" e foi "acompanhado
pela Marinha até ao Porto de Sines", no distrito de Setúbal, onde
atracou na madrugada de terça-feira, precisou hoje a PJ em comunicado.Na
operação - que incluiu uma descida em 'rappel' em alto-mar dos
operacionais, a partir de um helicóptero - foram detidas três pessoas:
dois passageiros "em situação clandestina e irregular" e um elemento da
tripulação, "por suspeita de estar envolvido no esquema criminoso" de
tráfico de droga destinada à Europa.Segundo
João Oliveira, os dois clandestinos eram um italiano e um colombiano e o
tripulante um indiano, que iriam ser apresentados a tribunal para serem interrogados por um juiz e conhecerem
eventuais medidas de coação.Uma parte da
droga estava no porão, "numa zona de difícil acesso", e a maioria num
contentor, ali colocada "quando [este] estava a fazer a sua marcha",
tudo apontando para que fosse retirada do navio algures no oceano
Atlântico.A investigação decorria desde o
início do mês no quadro do Centro de Análise e Operações Marítimas -
Narcóticos (MAOC-N, na sigla oficial), "no âmbito da cooperação policial
internacional e em estreita colaboração com as autoridades policiais e
judiciárias do Reino Unido (National Crime Agency) e Espanha (Policia
Nacional)", precisou a PJ, na nota.Contactado
pela agência Lusa, o comandante da Capitania do Porto de Sines, Rui
Vasconcelos, revelou que o navio saiu às 09h55, daquele porto
alentejano.Segundo a plataforma Vessel
Finder, o porta-contentores tinha estado atracado no Porto de Colón, no
Panamá, antes de ser encaminhado para Sines e mantém como destino
Tânger, em Marrocos, onde está previsto chegar no sábado."A
esmagadora maioria da tripulação seguramente nada teria a ver com a
estrutura criminosa", sublinhou o diretor da UNCTE, acrescentando
que "não há absolutamente nenhuma suspeita, até agora, sobre a empresa".