Autoridade de saúde investiga agente causador de gastroenterite na ilha do Faial

Hoje 14:20 — Lusa

Desde o dia 01 de julho que na ilha do Faial foram contabilizados mais de quatro centenas de casos de pessoas com sintomatologia de gastroenterite aguda, referiu hoje em comunicado o Delegado de Saúde da Horta, Armando Faria.Num ponto de situação feito ao fim do dia pela Delegação de Saúde da Horta, o responsável adiantou que a investigação destinada a identificar o agente causador “encontra-se em curso” e estão a ser realizadas “colheitas e análises a vários veículos potenciais”.“Sublinha-se que, até ao momento, não existe qualquer evidência que associe estes casos ao consumo de água da rede pública”, garantiu Armando Faria.Segundo a nota, os casos de gastroenterite aguda verificados são, “na larguíssima maioria, de um quadro ligeiro e de resolução espontânea em poucos dias”.“Os dados do Serviço de Urgência [do Hospital da Horta] confirmam um aumento das presenças por diarreia e/ou vómitos a partir de meados de julho, as quais representaram, na semana mais recente, cerca de um quarto dos atendimentos”, acrescentou, indicando que, “no conjunto das últimas semanas, contabilizaram-se mais de quatro centenas de presenças com esta sintomatologia”.O Delegado de Saúde referiu que o quadro “é compatível com uma gastroenterite de provável origem vírica - de elevada transmissibilidade, mas habitualmente benigna -, sendo muito raras as situações que exigem internamento”.A Delegação de Saúde está a acompanhar a evolução da situação e coordena a resposta, “articulando de forma muito próxima e sempre que necessário com o Hospital da Horta, a Unidade de Saúde da Ilha do Faial, as equipas de prevenção e controlo de infeção, a entidade gestora da água e a autarquia”.“São monitorizados diariamente os indicadores relevantes, reforçadas as medidas de controlo de infeção nas unidades de saúde e mantida a articulação com o laboratório de referência”, indicou.A autoridade de saúde referiu ainda que é dada especial atenção aos espaços que acolhem população mais vulnerável, como creches, estabelecimentos de ensino, estruturas residenciais para idosos e unidades de saúde.Nestes locais estão a ser reforçadas medidas como a higienização frequente das mãos com água e sabão, a limpeza e desinfeção de superfícies com solução de hipoclorito de sódio (lixívia diluída), a permanência no domicílio das pessoas com sintomas e limitação das suas visitas a lares e ao hospital e a vigilância acrescida de crianças, idosos e pessoas com doença crónica, pelo maior risco de desidratação.À população da ilha do Faial pede-se “serenidade e colaboração” e que tome medidas para interromper a transmissão, como lavar frequentemente as mãos com água e sabão, e reforçar a ingestão de líquidos.Quem tiver sintomas deve permanecer em casa até recuperar e evitar preparar alimentos para outras pessoas ou visitar lares e o hospital até 48 horas após a melhoria e, nos casos ligeiros, recomenda-se que contacte a Linha Saúde Açores (808 24 60 24) ou o centro de saúde, “reservando o Serviço de Urgência para as situações com sinais de alarme, evitando a sua sobrecarga”.As pessoas com sinais de desidratação, vómitos persistentes, incapacidade de ingerir líquidos, agravamento do estado geral ou sangue nas fezes, bem como bebés, idosos e doentes crónicos, devem procurar avaliação médica.Na sexta-feira, a diretora clínica do Hospital da Horta, Fátima Pinto, adiantou que a doença provoca, habitualmente, vómitos e diarreias e leva a que as pessoas se sintam “fracas e incomodadas pelos sintomas”, que, em situações normais, demoram entre dois e três dias.No ano passado, no período de 01 de julho a 12 de agosto, a unidade de saúde registou apenas 90 casos de gastroenterite, ou seja, quatro vezes menos do que este ano, reconhecendo que houve, este verão, um “aumento significativo” de situações.