Autoridade de Saúde dos Açores diz que tira aprendizagens do caso do lar do Nordeste
Covid-19
6 de mai. de 2020, 09:24
— Lusa/AO Online
“Atendendo
àquilo que era o conhecimento existente na altura, mais não podia ter
sido feito, agora é claro que tiramos aprendizagens para o futuro a
todos os níveis”, afirmou Tiago Lopes, no ponto de situação diário sobre
a evolução da pandemia nos Açores.Desde o
início do surto, foram detetados 38 casos de infeção pelo novo
coronavírus em utentes do lar da Santa Casa da Misericórdia do Nordeste,
na ilha de São Miguel, com dez pessoas a morrerem, e em 12
funcionários.O primeiro caso de uma utente
do lar infetada foi registado no dia 7 de abril, depois de a mulher de
88 anos, que, entretanto, morreu, ter estado internada no Hospital do
Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada.Questionado
sobre as aprendizagens a retirar sobre este caso, Tiago Lopes disse que
a maior lição foi a de que não se pode “descurar toda a capacidade que
este novo coronavírus teve, tem e terá de causar sérios
constrangimentos”.“É essa a aprendizagem
que temos de tirar doravante, que efetivamente temos de olhar para todas
as pessoas que vêm do exterior destas estruturas residenciais, todas as
pessoas que estão a prestar cuidados, como potencialmente infetados,
portanto, temos de redobrar a nossa atenção, temos de melhorar a
formação que proporcionamos e dotá-los de mais equipamentos”, afirmou.Quanto
à avaliação do que foi feito para travar a evolução do surto no lar do
Nordeste, o responsável da Autoridade de Saúde admitiu que já conversou
internamente sobre o assunto, mas não revelou falhas ou
responsabilidades detetadas.“À medida que o
tempo vai passando, claro que temos de refletir e analisar aquilo que
foi feito aos mais diversos níveis. Não podemos incorrer é no erro de
começarmos a pensar nos ‘ses’, de tal forma que regressemos tanto atrás
no tempo, que regressemos até à China, até ao primeiro caso de
transmissão de um animal para o ser humano”, apontou.Tiago Lopes sublinhou que os lares de idosos têm um contexto “muito particular”, em que se torna mais difícil controlar o surto.“Tem
uma franja da população muito mais sensível e muito mais vulnerável e,
por essa via, as próprias defesas estão mais diminuídas. Por outro lado,
tem um número muito significativo de pessoas institucionalizadas e não é
uma unidade de saúde, não tem metodologias de trabalho, não tem muitas
das vezes formação e equipamentos para fazer face a situações com esta.
Quando acontece um caso acaba por ter repercussões bastante
significativas”, justificou.O responsável
da Autoridade de Saúde Regional destacou que nos Açores, “contrariamente
àquilo que foi feito em território continental”, os idosos infetados
foram transferidos para unidades de saúde, para evitar introduzir
“metodologias, profissionais e equipamentos diferentes numa estrutura
que não foi criada para esse efeito”.“Não
fomos a reboque de nenhuma orientação ou recomendação, pensámos por nós
próprios e instituímos uma diferente metodologia aqui na região”,
frisou.Por outro lado, salientou que a
equipa de profissionais da estrutura residencial foi reforçada, para que
pudesse existir um sistema de rotatividade em espelho.“Fizemos
formação sobre limpeza e desinfeção de superfícies e utilização de
equipamento de proteção individual. Fizemos o reforço do próprio ‘stock’
de equipamento de proteção individual, para que os profissionais
pudessem prestar os melhores cuidados aos utentes negativos que se
encontravam dentro das instalações”, acrescentou.