Autoridade de Saúde dos Açores admite adotar "medidas mais excessivas"
Covid-19
8 de abr. de 2020, 09:21
— Lusa/AO Online
“Vamos
ter de encetar medidas mais excessivas do que aquilo que temos vindo a
fazer neste momento, de forma a acautelarmos todo este comportamento
pouco linear do vírus”, avançou Tiago Lopes, no ponto de situação diário
sobre o surto na região, feito em Angra do Heroísmo.Os
Açores registaram quatro novos casos da covid-19: três mulheres na
ilha de São Miguel, com ligação a uma cadeia de transmissão local, e
uma mulher na ilha do Pico, com histórico de viagem recente ao exterior.O caso da ilha do Pico foi
detetado depois dos 14 dias de quarentena obrigatória exigida a quem
chega de fora do arquipélago, mas, segundo Tiago Lopes, já tinha sido
recomendado um prolongamento desse período.“Este
é daqueles casos em que tínhamos alargado o período de quarentena, por
precaução, pela ligação epidemiológica que este caso detém”, afirmou.Também
já foi detetado um caso positivo de Covid-19, que tinha tido
anteriormente resultado negativo, por isso o responsável da Autoridade
de Saúde Regional defendeu a necessidade de uma “maior atenção” aos
casos em vigilância ativa.“Estamos a
identificar todos aqueles que já tinham cumprido o seu período de
quarentena e novamente contactar as delegações de saúde em termos da
vigilância ativa que estão a fazer, para ver se algum deles desenvolveu
sinais ou sintomas de infeção”, revelou, admitindo a possibilidade de
serem feitos mais testes.Segundo Tiago
Lopes, o facto ter surgido apenas um caso novo nos Açores entre sábado e
segunda-feira criou uma expectativa “demasiado positiva” na população,
mas o surto ainda não está controlado.“Nós ainda estamos de quarentena e temos de ficar de quarentena durante mais algumas semanas”, alertou.Os
Açores têm nove profissionais de saúde infetados e uma das cadeias de
transmissão local deu origem a infeções no Hospital do Divino Espírito
Santo, em Ponta Delgada.O responsável da
Autoridade de Saúde Regional salientou que o cenário “é mais favorável”
do que o pensado inicialmente, porque já foram testados mais de 100
profissionais de saúde e a maior parte teve resultado negativo.Ainda
assim, admitiu que a administração do hospital está a avaliar a
necessidade de reorganizar serviços, frisando que os profissionais que
tenham tido resultado negativo e sejam considerados contactos próximos
de “baixo risco” poderão voltar a exercer funções.“Dentro
dessa reorganização se houver necessidade ou de transferir alguns
doentes ou de alocar mais profissionais é esse o plano de contingência
que nós temos”, sublinhou.