Autoridade da Concorrência francesa impõe multa de 220 ME à Google por abuso de posição dominante
7 de jun. de 2021, 13:32
— Lusa/AO Online
A
sanção é o resultado de uma negociação com o 'gigante' norte-americano
da Internet, que aceitou as acusações e assumiu uma série de
compromissos na sua política de publicidade que se tornam obrigações,
explicou a Autoridade da Concorrência num comunicado. No
centro da questão está a posição dominante que a Google tem nos
servidores de anúncios para editores de 'sites' e aplicações móveis, que
lhe permitiu dar tratamento preferencial às suas próprias tecnologias
com a marca Google Ad Manager.Isto
beneficiou, em detrimento dos seus concorrentes, tanto o funcionamento
do seu servidor de anúncios DPF através do qual os editores oferecem os
seus espaços publicitários para venda, como a plataforma AdX que
organiza o leilão daqueles espaços.Especificamente, o DPF deu vantagens à plataforma de vendas e a AdX favoreceu reciprocamente o servidor de anúncios do Google.Um
dos principais mecanismos utilizados foi que a DPF comunicava à AdX os
preços propostos pelos concorrentes e podia assim utilizar esta
informação para ajustar as suas ofertas nos leilões e aumentar as
hipóteses de as ganhar. Para
o fazer, modificou as suas comissões de acordo com a pressão que
observou da concorrência que, por seu lado, não tinha esses elementos à
sua disposição. A
Google limitou a atratividade de outros servidores de publicidade, o
que lhe permitiu "aumentar significativamente a sua quota de mercado e
as receitas, que já por si são muito elevadas", observou o regulador.Na
origem deste processo está a queixa de três empresas do setor da
imprensa: News Corp. (editora entre outras do The Wall Street Journal,
The Sun e The Daily Telegraph), Le Figaro e o grupo Roussel La Voix (que
publica vários jornais regionais em França).A
presidente da Autoridade da Concorrência, Isabelle de Silva, considerou
as ações da Google "muito sérias" e salientou que é a primeira decisão
no mundo sobre os processos de algoritmos complexos de leilões com os
quais a publicidade 'online' funciona.Na
sua opinião, a sanção e os compromissos do motor de busca dos EUA, que
serão vinculativos por um período de três anos, "permitirão o
restabelecimento de condições de igualdade para todos os jogadores" e
darão aos editores da web a capacidade de maximizar o seu espaço
publicitário.Além
da multa, a Google terá de permitir aos concorrentes um mecanismo para
possibilitar que o seu servidor DFP interopere com outros servidores
externos para lhes dar a possibilidade de "uma concorrência por mérito"
para que a AdX e outras plataformas externas tenham igual acesso à
informação dos leilões.A
Google comprometeu-se a nomear um "mandatário independente", que será
remunerado e que será responsável pelo controlo do cumprimento das suas
novas obrigações. Este mandatário terá de transmitir a informação
disponível à Autoridade da Concorrência francesa.